MORALIDADES
Tempos houve em que quem queria e podia dava dinheiro aos partidos políticos. Empresas, particulares, instituições, partidos e governos estrangeiros, fundações, toda a gente, sem restrições ou fiscalizações. Empresas havia que davam a todos. Faziam umas contas, reservavam uma verba, e vai disto, fabricavam uns critérios e iam distribuindo de acordo com eles.
Aos poucos a situação foi mudando. A moral vigente neste princípio de século é a mesma do século passado, só que de pernas para o ar. Ao exagero e permissividade dos velhos tempos, substitui-se uma apertada rede de proibições, investigações, penalizações, condenações e, sobretudo, de permanentes suspeições.
Por um lado, parece que a moral de agora é melhor que a antiga. Por outro, porém, facto é que, com o pretexto de financiamentos ilegais, tal moral é largamente aproveitada pelos inimigos da democracia liberal, ou seja, pelos inimigos da Liberdade.
É por isso que o problema devia ser resolvido através da prática da verdadeira Liberdade, que é a liberdade responsável. Quem quisesse dar dinheiro a terceiros, partidos ou não, devia poder fazê-lo livremente, desde que às claras. Se a empresa A, ou o senhor B, quiserem dar umas massas ao partido C, pois que o dêm. Mas que o declarem nas suas contas, e que o receptor do dinheiro faça o mesmo. Que seja público, assumido, claro. Isto resolveria a questão do tráfico de influências. Pois se a empresa A, ou o senhor B, deu dinheiro ao partido C, mas toda a gente o sabe, é evidente que o partido C terá todo o interesse em que lhe não possa ser imputado, uma vez no poder, o favorecimento da empresa A ou do senhor B, e que estes tomarão os cuidados necessários para que que acusações dessa ordem lhes não possam ser imputadas. As coisas moralizar-se-iam através da prática da Liberdade, e não por medos, proibições, punições e descréditos.
A fúria proibicionista que anima tanta gente ( a começar nos que toda a vida foram financiados por poderes estrangeios e a acabar em santas almas prenhes de correcção…) mais não faz do que, como a lei seca, incentivar o contrabando e justificar operações de saco azul.
Aqui fica a sugestão. Ninguém a seguirá, como é óbvio. As coisas continuarão na mesma, que é o que interessa aos traficantes e aos donos da moral e da razão.
António Borges de Carvalho