UMA TIRADA DE GÉNIO
Numa tirada de génio, Dona Maria José resolve que é preciso dar cabo das lojas dos chineses na Baixa, e criar uma “chinatown” lá para os lados do Martim Moniz.
Dona Maria José acha que tais lojas não estão ao nível do que se desejaria que fosse a Baixa de Lisboa.
De acordo. Apoiado.
A arrancada da senhora, verdadeira manchete da sua anunciada rentrée no galarim da política lisbonense, desta vez ao serviço do social-esquerdòidismo, suscita, no entanto, algumas questões.
Perguntar-se-á, antes de mais, porque é que não se lembrou disso mais cedo, já que anda preocupada com estas matérias há dois ou três anos.
Depois – as perguntas são como as cerejas – poderá perguntar-se porque se preocupa com as lojas dos chineses e não com as vergonhosas baiúcas que pululam na Baixa, algumas com passado, todas sem presente e sem futuro outro que não seja o de sacar umas massas ao senhorio, desgraçado há custa quem vivem há muitas décadas, sem nenhuma preocupação de modernização ou de qualificação, já que o seu verdadeiro produto não é o que está na montra mas o trespasse ou a indemnizção, instituições que matam a cidade mas que a Lei protege e o inquilino agradece.
Também se poderia perguntar se é o salazarismo visceral ou o socialismo dos seus novos parceiros o que a faz achar que “recupera” a Baixa sem mexer na lei do arrendamento, sobretudo na pessegada que os seus novos amigos arranjaram com o NRAU.
Não menos lógico será perguntar à nobre Senhora por que carga de água se não revolta contra o municipal crime de extorsão que é dobrar os impostos aos prédios desocupados (uns meros quarenta milhõezitos de euros, cálculo por defeito, diz-se), como se alguém abandone o que é seu à ruína por prazer e não por se ver privado do seu rendimento durante uma vida inteira, por imposição estatal. Está de acordo? Então a obrigação do Estado, e do município não deveria ser procurar ajudar os lesados (em triliões de contos), em vez de os castigar com mais impostos? Qual é o critério da senhora? O trotzquismo? O ribeirotelismo? Ou o galarinismo à custa seja do que for?
E, já agora, será de perguntar ainda a Dona Maria José porque é que deu o pontapé de saída para a queda da Câmara que deu a mão ao seu projecto. Teria algum pacto secreto com o Costa, ou com o bufo?
Perguntas legítimas, que jamais serão respondidas. Just for the record.
António Borges de Carvalho