SOMOS OS ÚLTIMOS!
Um pouco por toda a parte, as posições dos cidadãos e dos governos em relação à energia nuclear vêm evoluindo sentido da aceitação da sua necessidade e da confiança que merece.
Razões económicas, estratégicas, tecnológicas e, imagine-se, ecológicas, militam a favor do desenvolvimento da opção nuclear.
É sabido que a Índia tem em marcha um projecto para instalação de cerca de vinte centrais e, no caso da China, fala-se de cinquenta. Mas não são só as economias emergentes a tomar esta opção. A Finlândia tem uma central em construção, na Austrália o governo declarou a opção como inevitável, o Reino Unido prepara nova regulamentação para relançar o sector, em França opção está tomada, nos EUA há quase trinta novos pedidos de instalação em fase de estudo ou de autorização. A própria Espanha, segundo algumas fontes, prepara-se para tomar medidas no sentido de aumentar dramaticamente a sua produção de energia a partir do nuclear.
A opinião pública vai pelo mesmo caminho. Segundo o “Economist”, no Reino Unido, os opositores ao nuclear são hoje cerca de 30% dos britânicos, tendo sido, há apenas três anos, 60%. Nos Estados Unidos, a opinião favorável é já de 50%, partindo-se de 44% em 2001.
Alguns dos mais ferozes ainda que acreditados ecologistas assumem uma viragem de 180º a este respeito: o nuclear é hoje a forma mais limpa e com menor impacto ambiental de produzir electricidade.
Para o Ocidente, o desenvolvimento do nuclear representará uma monumental descida na factura de produtos provenientes de países instáveis, transferindo-se a compra de matérias-primas para zonas mais fiáveis, como a Austrália e o Canadá, sem que tal represente, bem pelo contrário, um aumento do preço ao consumidor final.
É esta a tendência da Civilização.
Em Portugal, um financeiro propôs ao governo construir, sem despesas para o Estado, uma central nuclear. Não faço ideia, nem ninguém fará, se tal proposta era favorável aos nossos interesses. O que se sabe é que o Primeiro-Ministro, olimpicamente, declarou que a coisa “não está na agenda do governo”. Em vez de dizer ao proponente “venha de lá a proposta concreta para análise”, não senhor, o nuclear está fora da agenda, e acabou-se a história.
O “líderes” de opinião (Quercus e quejandos) ficaram descansados, ou aborrecidos, por, desta vez, não ter motivo para chatear o poder.
Os fulanos que, orgulhosamente, andam a plantar carissíssimos aerogeradores pelo país fora como antes se plantavam eucaliptos, borrifando na beleza da paisagem e nos nossos bolsos, propagandeiam o nosso “avanço” em matéria de produção de electricidade. Não informam, et pout cause…, sobre o preço da electricidade que produzem.
Em resumo, Portugal dá passos de gigante para ficar, ou para continuar, à margem do futuro. Em nome de uma causa que já nem politicamente correcta é…
Se já somos os últimos de muita coisa, parece que nos preparamos para o ser em muitas mais.
António Borges de Carvalho