E NÓS?
“Sou como sou”. Foi com esta expressão que Mendes se auto definiu durante o genial embate em que, galhardamente, dois dos candidatos à chefia do PSD se confrontaram.
É pena. O desinteressante senhor não mudou. É como é. Queixa-se de que o adversário passa a vida a contestá-lo, o que não é bonito, dado que, sendo do mesmo partido, deveria, disciplinadamente, apoiá-lo. Compreende-se. Mas a fidelidade a tal princípio deveria ter levado Mendes a apoiar Santana Lopes, em vez de cooperar activamente na sua demolição pelo líder socialista Jorge Sampaio. A fidelidade a tal princípio deveria levá-lo a defender Carmona Rodrigues, em vez de obrigar à sua queda.
O senhor Mendes é como é. Não tolera arguidos em processos-crime. Correu com os arguidos das suas listas. Mas não correu com todos. Escolheu os que lhe desagradavam. Correu com o PSD de Oeiras, Gondomar e Lisboa. Compreende-se. Só não se compreende como deixou outros arguidos no poder. Ele é como é: contra os arguidos, mas só os da sua escolha pessoal. Para outros, lá se vai o princípio.
É como é. É oposição ao PS, mas apoia o PS em deselegâncias tão idiotas como ignorar o Dalai Lama, e em coisas tão monstruosas como a vacatio legis do Código de processo Penal.
Desgraçadamente para todos nós, o senhor Mendes, é incoerente, deselegante e suicidário. É como é.
O senhor Meneses não precisa de o dizer. Também é como é: diz coisas. Diz o que lhe vem à cabeça. Quer relançar a economia com obras públicas, utilizando a preclara mezinha de as transformar em privadas. Tem da construção civil a salvífica ideia de ser a chave do progresso. Adora o nepotismo. De resto, bem se pode espremer, que o suco é nada. Odeia o Sul (a mourama), detesta o que é liberal (?), abomina as elites. Menos que nada.
Sem outra filosofia que não seja a de um provincianismo bacoco e mal assumido, são ambos limitados, pequeninos, uma desgraça.
Os barões fecham-se em copas. Não estão disponíveis. Quando muito, na penumbra, colaboram num mirífico “programa”. Os tempos estão difíceis. Eles, coitados, não querem ver tocadas as fímbrias das nobres vestes. Talvez um dia… se ainda houver PSD. Para já, quietinhos, que a coisa está chata. São como são.
Em São Bento, o abutre alisa as penas*. Está contente, feliz, pode continuar, impunemente, a espremer o povo. A fazer as almas (e as bolsas) mais pequenas*. É como é.
E nós, porra! E nós?
António Borges de Carvalho
* Abusivas paráfrases de um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen