A TIRANIA É QUE É BOM!
O mui digno posicionamento de Portugal no concerto das nações dá à Europa a ao mundo exemplos de dignidade, de inteligência e de fidelidade aos princípios que informam a república.
Aqui há uns anos, sob a distinta direcção de um tal Cruz Martins (ou Martins Cruz, ou lá o que é), Portugal, mui dignamente, entrou em conflito com os seus parceiros porque insistia em receber com todas as honras o tirano da Bielorrússia, figura execrável e execrada em toda a Europa. E ganhou! O fulano cá esteve, demonstrando assim a força e a categoria da nossa diplomacia.
A imprensa e os indignados do costume têm-se manifestado contra a (não) recepção prestada ao senhor Dalai Lama. Mais uma vez, em extraordinário alarde de força, independência, noção das conveniências e dos pátrios interesses, a nossa diplomacia utilizou razões “óbvias” para negar hospitalidade ao referido senhor*. Cobriu-se de lama por conta do Lama.
A mesma imprensa, e os mesmos indignados, elogiam, em solenes parangonas, a acção patriótica do Presidente Soares, que utilizou a grande amizade, compreensão e irmandade de ideais que o une ao tirano Chávez, para “impulsionar” uns quaisquer negócios de petróleo. Não há uma só voz que discorde. Os indignados calaram-se. Os outros não poupam elogios.
Aqui temos, num rápido “survey”, a forma verdadeiramente eficaz como o Portugal democrático se dedica a auxiliar a tirania. Ele foi o bielorrusso, ele é os chineses, ele é o venezuelano. Haverá para aí mais algum ditador a precisar da nossa protecção?
Há, sim senhor! A ver vamos a sessão de propaganda que o assassino e genocida Mugabe vai fazer em Portugal, sob o olhar embevecido da imprensa, dos indignados e do senhor Pinto de Sousa (Sócrates).
António Borges de Carvalho
*Apesar de tudo, a coisa foi menos menos ridícula do que o “encontro”, nas Janelas Verdes, do Presidente Sampaio com o senhor Lama.