MONTANHAS DE VENTO
Com as habituais parangonas, discursos e sessões de propaganda, o senhor Pinto de Sousa (Sócrates) anunciou às massas ansiosas que, em mais uma altíssima, tecnologissíssima e inteligentíssima medida, tinha o governo posto à disposição da ralé um ciber-instrumento de tal maneira avançado, que o cidadão passava a gozar da espantosa benesse de poder, por si próprio e sem ajuda, calcular a desgraçada reforma a que tem direito.
Acontece que o autor destas linhas, há para aí três anos, certamente antes do glorioso advento do senhor Pinto de Sousa, resolveu ir ao site da Segurança Social. Lá estava o simulador das reformas, que lhe permitiu calcular aquilo que, agora, é anunciado como possível por obra e graça do espantoso governo da Nação.
É certo que, à altura, as contribuições das pessoas (o “histórico”) ainda não estavam na rede. Mas, para quem soubesse, mais ou menos, o que tinha descontado, lá se fazia o cálculo sem problema nenhum.
Isto quer dizer que o que o governo fez foi ligar a ficha ao “histórico”, coisa que já estava informatizada há um bom par de anos, e não propiciar um cálculo que, com meia dúzia de pancadinhas nas teclas, não fosse já, e de há muito, possível, por mor dos esforços dos execráveis governos precedentes. Os quais, diga-se, propaganda alguma fizeram a tal respeito.
De um acrescento de chacha faz o senhor Pinto de Sousa um acontecimento fenomenal. Os jornais e as televisões, veneradores e obrigados, enchem o pagode com a coisa durante vários dias.
O rato continua a parir montanhas (de vento). Nem o António Ferro conseguiria tanto.
António Borges de Carvalho