Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

UM ALÍVIO

Após aturadas manobras de reabilitação, manutenção, revisão, etc., feitos os testes, as peritagens, as verificações, testada a compatibilidade dos trabalhos com os vademecuns gerais da aviação e específicos do modelo em causa, respeitados os cadernos de encargos, os contratos, os procedimentos, por ordem e por especialidade, tudo cumprido à risca, ao mais ínfimo detalhe, e o avião do Casaquistão, garboso, levantou voo. Lá no ar, desatou a tossir, teve uma crise de tonturas, e foi o que se sabe. À tangente, lá se safou, para glória da Força Aérea (a melhor do mundo, segundo o senhor de Belém) e orgulho da Pátria.

O mundo respirou de alívio. Os tipos que iam a bordo também. O general aéreo veio à televisão colher os merecidos louros. E pronto.

Pessimista e de maus fígados, o IRRITADO pergunta: e as OGMA? Deixaram de existir ou quê? Ninguém pergunta onde estava o gato, ou melhor, porque é que o gato ficou a bordo. Terão sido as empregadas da limpeza que se esqueceram de correr com ele? Parece evidente que as OGMA não tiveram culpa nenhuma ou, pelo menos, ninguém se lembrou de lhes perguntar como foi possível ter lá ficado o gato. Por seu lado, as empregadas de limpeza, no caso, devem ser inimputáveis. E pronto.

Tudo como dantes, não só em Abrantes.

 

13.11.18

DESESPERO

Dutante meses, levámos, todos os dias, com horas e horas de Bruno de Carvalho (juro que não é meu primo), nas TVs, nos jornais, na rádio, etc. Até que, legitimamente, tivemos a ilusão de que o assunto estava “arrumado” (como soe dizer o chamado primeiro-minstro quando está à rasca).

Eis senão quando, para infrene gáudio da alcateia, o homem ressucita e volta a ocupar 95% do espaço, ele e catadupas de doutores da bola, da justiça, do jornalismo, da polícia, do raio que os parta. O remédio é fechar a televisão, não comprar jornais e cortar relações com quem nos vier falar no assunto.  

Nunca me passou pela cabeça tornar-me “activista”, coisa mais ou menos abominável. Mas estou a pensar seriamente apelar à guerra civil contra o nacional-futebolismo.

 

13.11.18

ALGUÉM QUE NOS VALHA

Segundo os jornais, vai formar-se uma “coligação negativa” (PSD+CDS+BE+talvezPC) para chumbar a nova taxa da protecção civil, desta vez propriamente chamada imposto. O Medina e quejandos, indignados, devem estar a pôr velinhas ao Santo Eufrásio.

Tudo normal. Só que o IRRITADO não está de acordo. Coligação “negativa”? Negativa uma ova. A vingar, será a única coisa positiva dos últimos tempos. Bemvinda seja!

Na dúvida, vou pôr uma velinha ao São Pancrácio que, como se sabe, não vai à bola com o colega Eufrásio.

 

13.11.18

AS BRUXAS DO CASAL VISTOSO

Dizem as crónicas que as bruxas de Salém eram boas raparigas. Acredito. As do Casal Vistoso nem por isso. São áulicas do grande Satã Costa, a quem fielmente servem e que às vezes criticam para dar um ar da sua graça. Sempre inspiradas pelo tenebroso mago Louçã, preparam-se para o assalto final. O mago já tomou posições na barbacã do castelo: domina, como conselheiro, o imperador de Belém e os grands argentiers do império, sitos na baixa da capital.

É a vez das bruxas e dos seus serventes. Elas já se auto-nomearam para os mais altos cargos, da cobrança de impostos à doutrinação dos indígenas, das mezinhas para a espinhela caída ao domínio da corte regional e das cortes estrangeiras, por natureza inimigas. Também há uns indefectíveis lacaios que deitam a cabecinha de fora para que as bruxas os escolham. Tiveram até a ousadia de citar os cadeirões a que aspiram. Mas, apesar de um ou outro osso que lhes venha a ser atirado pelas bruxas do alto das muralhas, nunca passarão de servos, elas não consentem concorrentes vindos lá de baixo sem o seu prévio aval.

E dizem, supremo cinismo da bruxaria, que o povo é que as vai querer. Como se alguma vez tivessem tido o apoio do povo fosse para o que fosse. Não é coisa que lhes interesse, elas são a vanguarda mágica, as vanguardas mágicas nunca precisaram do povo para nada, como a história demonstra. Precisam, isso sim, do grande Satã e do seu nunca negado abraço. Com isso já contam. O grande Satã também não precisou do povo para nada para chegar onde chegou. Bem pelo contrário, chegou lá contra a vontade do povo, assim demonstrando que vale mais ter uns truques na manga que ter o povo a empurrar.

Bruxedo maior, declaram-se “cordiais”, o que é o contrário da filosofia do ódio que anima as bruxas más: os “outros” não tiveram acesso à missa negra, nem aos beijinhos das bruxas menores que reprentavam o grande Satã e o primo Jerónimo.

No seu dourado camarim, a Grande Bruxa Catarina olha o espelho mágico, e pergunta: espelho meu, há alguma bruxa melhor que eu para mandar no castelo? Não se sabe  a resposta do espelho, mas a verdade é que andam por aí outras bruxas tão perigosas quanto ela. Ou mais...

 

12.11.18

AS COISAS ESTÃO A MELHORAR...

 

Isto dizia o camarada Pinto de Sousa aos seus advogados. Viram o Correio da Manhã a reportar a guerra aberta do juiz contra os procuradores? Hi, hi, meus caros, a atmosfera está a desanuviar. O tipo é de estalo. Como aquela história do sorteio electrónico se tornou duvidosa, não está com meias medidas. Desconfiam que houve marosca? Tomem lá esta, para distrair o pagode: quero saber como foi o sorteio que, à partida, pôs o Carlos Alexandre a fazer interrogatórios. O meu sorteio é duvidoso e o dele não? Era o que faltava. Se duvidarem do dele, isto é capaz de ir tudo por água abaixo. É de mestre. E aquela de mandar deitar fora as comunicações do Lalande? Faz lembrar os doces tempos dos nossos amigos da PGR e do STJ, não é? A procissão ainda vai no adro, mas é fácil de adivinhar que o percurso vai entrar no bom caminho, hi hi.

Os advogados sorriem. Para já, é melhor não contar com o ovo no artefacto da galinha. De qualquer maneira, isto tem todas as hipóteses de ir ao sítio. Vais ver que, se continuarmos a encanar a perna à rã – a nossa especialidade - nem daqui a dez anos (como diz o novo ministro da defesa am relação a Tancos) haverá decisões. Com umas prescrições à mistura, olaré, é canja.

 

Vai um espumante?

 

11.11.18

MINHOQUICES

 

Subitamente, uma senhora da PGR desatou a atacar o projecto do camarada Medina para os terrenos da feira popular. Nada de hastas públicas precipitadas. Este tema é “denso e complexo”, diz ela. Pois. É que, estão a ver, a designação “operação integrada” não é nome que se use, que horror. E a aviação civil, onde está o parecer? E os 25% de habitação, que correspondiam a 35.928 metros quadrados e que agora são 34.090,65, uma diferença abissal? E as dúvidas “no plano da legalidade urbanística”, hem?

Como se vê, a burocracia ao ataque é do que a casa gasta. Bem feita.

Coitado do Medina? Coitado uma ova. Todo o processo relativo aos terrenos é um mar de asneiras, para utilizar uma expressão suave. A luta da assembleia municipal, dirigida contra o negócio inicial feito pela câmara por Santana Lopes/Carmona Rodrigues é coisa que nem Kafka conseguiria descrever. A alcateia do PS, depois de meses de guerra aberta, acabou por aprovar tudo. Mas veio o “Zé” (Sá Fernandes) e desaprovou. Contratado inicialmente pelo BE, o dito tratou de arranjar uma desavença com o Louçã e de se meter, de armas e bagagens, no PS, onde foi recebido de braços abertos. Foi-se o Santana, foi-se o Carmona, foi-se o Costa, veio o Medina; o “Zé” lá continua, a abarrotar de poder. Mais um arranjo do “Zé”: uma “acção popular” contra aquilo, o Carmona foi acusado de nefandos e inexistentes crimes (de que, anos mais tarde, foi absolvido cum lauda). No meio de indescritível pessegada, os terrenos ficaram entregues às ratazanas durante quase vinte anos, uma vergonha sem nome. A CML pagou centenas de milhões de euros de indemnização ao lesado, um malandreco de primeira (parece que ainda pode ter que vir a pagar mais alguns), tudo à pala das iniciativas do “Zé”, apoiadas pelo PS. Entre aprêntessis, diga-se que, por acção dos mesmos (a luta sem tréguas contra o túnel do Marquês, quer dizer, contra Santana Lopes), mais uns cem milhões ou coisa do género foram pagos ou estão em pagamento aos empreiteiros lesados. Uma gestão “prudente”, como está à vista. À moda do PS. Para a compensar, o Medina, o “Zé”, a Roseta & Cª vão lançar mais um imposto sobre a propriedade urbana, com carta branca do orçamento do PS para impor a taxa que lhes der na realíssima gana. Tal como as indemnizações milionárias, vão pagar todos, ricos, remediados e pobres. Tudo à moda do PS.

 

O travão posto pela PGR aos leilões do Medina faz parte da burocracia legal em vigor. Além disso, não se percebe, ou não se aceita, porque não há-de esta gente ir para a cadeia pelos pontapés que já deu nos cofres da CML em vez de ser chateada com especiosas minhoquices da PGR.

 

11.11.18

NÉPIAS

 

Como sabe quem o lê, o IRRITADO é cliente habitual do jornal privado, predominantemente de esquerda - moderada ou radical - chamado Público. Recentemente, têm-se multiplicado os respectivos directores, desde uma tenebrosa senhora cujo nome me escapa, passando por uma desilusão chamada David Dinis, até ao actual salta-pocinhas Manuel Carvalho, muito se tem visto. Todos terão alguma qualidade, diga-se em abono da relativa justiça que anima o modesto autor destas linhas.

Passe a introdução. Este post é dedicado ao último editorial do actual director, basicamente alinhado com a generalidade da matilha jornalística que, subitamente, descobriu o “vírus da suspeição” (do título do artigo em causa) alegadamente existente entre o chamado primeiro-ministro e o senhor de Belém. De onde vem a descoberta? Do facto de o primeiro ter “acusado” o segundo de “ansiedade” no que se refere à investigação – se é que tal coisa existe –  dos acontecimentos, ou não acontecimentos, relacionados com a história, ou histórias, de Tancos.

Não se sabe se os generalizados comentários fazem parte de alguma conspiração destinada a criar fissuras no monumental e, no pior sentido, exemplar relacionamento entre os dois.

Antes de mais, ao contrário dos comentadores de serviço, o que Costa disse foi que o governo não estava ansioso, só nas entrelinhas se podendo ler qualquer acusação a Marcelo. Pelo contrário, o substancialmente sublinhado por ele, foi a “total convergência” entre os dois.

É dessa “total convergência” que o país sofre, uma vez que a “magistratura de influência” de Belém se cifra exclusivamente no apoio político do Presidente à geringonça, matizado com um ou outro vetinho, mais destinado ao Parlamento que ao governo, sempre tendo como consequência o habitual “desveto”, após umas emendazinhas. Dir-se-á que, por exemplo em relação aos incêndios, o senhor de Belém fez um discurso “duro”, neste caso mais destinado a ajudar o PM a correr com a Constança do que a denunciar o mar de trapalhadas em que o dito se multiplicou. Sobre o orçamento, a política económica, o futuro, népias. Só indefectível a poio. Sobre o empurrar os problemas com a barriga, népias, sobre a palavra “honrada”, népias. Sobre a trapalhice do Infarmed, népias. Sobre a remodelação do Azeredo, na véspera considerado “um activo importante”, népias. Sobre a permanentemente reiterada irresponsabilidade e a indesmentível inocência do chefe da geringonça, népias. E assim por diante.

Mas os nossos plumitivos, talvez para dar algum sal a esta pasmaceira onde só a propaganda é gente, para a desculpar deram em descobrir, a propósito da “ansiedade”, terríveis divergências e suspeições.

E se fossem enganar o Bocage?

 

8.11.18            

PORTUGUÊS

 

Um tal Silvano, deputado, figura de topo do escol que rodeia Rui Rio, tinha por hábito ir à Assembleia assinar o ponto e dar o salto para outras paragens. Depois, parece que passou a achar mais prático pedir a um tipo qualquer que assinasse por ele.

Uns dizem que o homem não deverá muito à honestidade. Um exagero! O chefe Rio não é de modas, vem em defesa do Silvano e adianta este monstruoso pleonasmo; “trata-se de uma pequena questiúncula”. Ficámos a saber que há questiúnculas grandes.

Às vezes, a forma consegue ser tão má como o conteúdo.

 

6.11.18   

MAIS NOTÍCIAS DA GERINGONÇA

 

Segundo um portal do Estado, a dívida do SNS estava, em Setembro deste ano, em 860 milhões de euros.

Normal. Habitual. Qual o espanto?

Vamos um bocadinho mais adiante:

Em 2011, o governo socialista deixou tal dívida em 1.616 milhões (só hospitais EPE). Em 2012, o governo legítimo reduziu para 714 milhões (só hospitais EPE); em 2013, a dívida passou a 652 milhões (só hospitais EPE); em 2014, a dívida reduziu para 556 milhões e, em 2015, para 452 (todos os hospitais públicos). Regressado o PS, em 2016 o pulo foi até aos 545, em 2017 saltou para os 837 e, em Setembro de 2018, estava em 860.

Informado com por este estado de coisas, o jornal privado chamado “Público” titula: Dívidas em atraso de 350 milhões serão o melhor de sempre nos hospitais (sic). Estão a perceber? Eu também não. Fui ler a “notícia”. É sobre a nova ministra que entra de rompante no geringoncial esquema de propaganda, tão no gosto dos nossos jornais. Diz a senhora que o governo tem um envelope de 500 milhões para ela pagar umas coisas. Quando? Não sei, nem ela saberá.

Como é política habitual de há mais de três anos a esta parte, anúncios são anúncios, pagamentos são pagamentos. Uma coisa não tem a ver com a outra, como o rabo não tem a ver com as calças. Não tarda, andarão os credores outra vez à nora, porque o chamado ministro das finanças acordou com os pés de fora e, vai daí fez mais umas cativações. Quanto aos pagamentos, logo se vê, como é costume.

Trocando por miúdos, ou por factos: Passos Coelho baixou a dívida da Saúde ao mercado dos 1.616 milhões do Sócrates para 452 - sem propaganda nenhuma; a geringoça, até Setembro deste ano, aumentou-a para 860 (quase o dobro) – mas, com habitual propaganda triunfalista, põe tudo de pernas para o ar.

E ainda há, por esse mundo fora, quem se irrite com as fake news das redes sociais. Nós não. Por cá, as fake news são oficiais!

Como diria o senhor de Belém, somos os maiores!

 

6.11.18   

IGNORÂNCIA E JOGOS DE PODER

 

Cheio de fervor patriótico, o senhor de Belém manifestou a a sua indignação quanto aos “jogos de poder” que assolam a opinião pública sobre as trapalhices de Tancos. Acto contínuo, o chefe da geringonça aplaudiu tal preocupação, sublinhando a “total convergência” do governo e do Presidente.

De tal convergência toda a gente sabe, mormente os eleitores enganados pelos dois. Um apoderou-se do poder que os eleitores não lhe deram, outro veio a ser caninamente “convergente” com aqueles que, sem desejar que o viesse a ser, nele votaram.

Agora, julga-se que por causa de obscuros “jogos de poder”, estão os dois no mesmo barco, o draga-minas da “ignorância”. Os dois mais altos representantes da política nacional, perante um caso que classificam de gravíssimo, nada sabem. Ignoram. Não foram informados. Ninguém lhes disse nada. Ninguém lhes liga pêvas, nem os serviços secretos, nem os polícias, ninguém? Das duas uma: ou é assim e, nesse caso, prestam-se a ser considerados palhaços, ou sabem e não dizem que sabem, e andam a enganar os pacóvios, que somos todos nós, pelo menos na sua superior consideração.

Quem, afinal, anda por aí com “jogos de poder”? “Entidades” obscuras, anónimas, conspirativas, inomináveis, ou os dois grandes senhores da política?

Algo me diz que, ou há algum regresso à moralidade, ou estes tiros, o dos “jogos de poder” e o da "ignorância”, vão acabar por sair pela culatra.

 

6.11.18

REPETIÇÕES

 

Não sei quantas dezenas de vezes o senhor de Belém já proclamou que, a respeito de Tancos, não sabe nada. De tal maneira que não escapa ao indígena lembrar o Vladimir Ilitch a dizer que uma mentira muitas vezes repetida passa a verdade.

Longe de mim dizer que o senhor de Belém anda a mentir. Mas não deixo de estranhar que, a qualquer pretexto, e mesmo sem pretexto nenhum, repita ad nauseam a mesma coisa. Evidente é que o senhor de Belém tem o inultrapassável vício de dizer coisas a propósito ou a despropósito de tudo e mais alguma coisa, o que leva a pensar que precisava de uma estadia numa clínica de desentoxicação.  

Desta vez, a prática de tão terrível dependência leva a que os espíritos menos crentes comecem a achar que tanta repetição traz à baila a máxima do Lenine...

 

4.11.18

PORCARIA

 

De que serve ocultar nos orçamentos certas despesas para fazer diminuir o défice, e acobertar debaixo de uma prosperidade fictícia o verdadeiro estado das coisas públicas?

As situações difíceis não se remedeiam, os obstáculos não se removem, as resistências não se aniquilam, os cataclismos sociais não se evitam senão com uma política franca, verdadeira e desassombrada.

Eça de Queiroz, 24.1.1867

 

Pode parecer que o grande Eça estava a criticar o seu tempo. O que estava, porém, era a fazer futurologia. As ocultações e a prosperidade fictícia cá estão. Os cataclismos também. A política franca, verdadeira e desassombrada morreu quando a geringonça e o seu guarda-livros, um tal Centeno, subiram ao poder. À qualidade dos políticos do séc. XIX acresce agora falta de educação, pesporrência, desprezo pelos que têm a ousadia de ter opinião diferente: todos os partidos, todos os reguladores, todos os estudiosos, não passam, na palavra desonrada do governo e do seu guarda-livros, de ignorantes crassos, de iletrados, de perseguidores, enfim, de um bando de canalhas apostados em denegrir a sua imperial excelência.

Os tempos são outros mas a porcaria é a mesma, ou pior.

 

4.11.18   

AFINAL, AINDA VAMOS TER SAUDADES DO AZEREDO

 

Daqui a algumas décadas, tudo isto (Tancos) vai estar disponível no Arquivo Histórico Militar. Nessa altura, tudo se saberá.

João Gomes Cravinho, ministro da geringonça

 

Aqui está um homem cheio de amor à geringoncial verdade. Nesta curta mas doutíssima frase, o nosso “defensor” reconhece, por excesso, aquilo que toda a gente sabia: que a justiça não funciona, que a polícia anda aos bordos, que a estratégia do governo é deixar correr o marfim a ver se a coisa passa, que não vale a pena o senhor de Belém dizer 485,7 vezes que quer o assunto esclarecido. O caso de Tancos passou, no parecer deste nosso novo “governante”, a ser matéria para historiadores que, daqui a “décadas”, quem sabe se séculos, virão apresentar as suas teses sobre o assunto.

Pelo andar da carruagem ficamos com a certeza de que o camarada Sócrates, ao tomar conhecimento desta opinião oficial, abriu uma garrafa de Moët & Chandon (oferecida pelo amigo Silva), e bebeu à saúde dos historiadores que virão, daqui a muitas décadas, tratar do seu problema. Ele, que esperava uma sentença para daqui a dez anos, pode ficar descansado: tudo vai passar à História sem lhe macular o prestígio.

 

4.11.18

DA DOCÊNCIA

 

Segundo informações veiculadas por quem domina estas matérias, acontece que os protestantes professores, quando fazem greve – o que acontece quase todos os dias – continuam a ganhar o ordenadinho do Estado como se nada fosse. É que era preciso haver um procedimento administrativo qualquer para que o erário público não fosse prejudicado. Ora como ninguém sabe quem fez greve ou deixou de fazer, nem é possível determiná-lo, o educacional computador continua a processar os vencimentos com toda a naturalidade. Essa de competir aos sindicatos pagar os dias de greve aos grevistas, no caso desta nobre e tão prestigiada classe, simplesmente não funciona. As línguas mais viperinas sugerem uma possibilidade extrema: que há quem ganhe a dois carrinhos, o que, a ser verdade, explicaria muita coisa.

Outro dos chamados privilégios da classe tem a ver com as substituições. Explico: há docentes na prateleira, ou em inúmeras prateleiras, que usam ser chamados para substituir colegas que faltam, ou que estão doentes (calcula-se que pelo menos 10% de tais cidadãos, normalmente, estão doentes), ou que não dão aulas por outro motivo qualquer. Os tipos do ministério vão às prateleiras buscar substitutos, como é natural. Mas os emprateleirados são livres de dizer que não querem sair da prateleira: a escola proposta, seja lá pelo que for, não lhes convém. Não aceitam o convite, e pronto, adeus. Aqui é que está mais um gato: não aceitam, mas continuam a receber o ordenado como se aceitassem.

Malta fixe.

 

4.11.18

INDIGNIDADES

 

Por muitas vezes têm os doutos juízes da nossa praça declarado, com impante orgulho, que não são funcionários públicos, mas titulares de órgãos de soberania. Não estou de acordo com a opinião de tão ilustres letrados, mas percebo a ideia.

O pior é que, não aceitando ser funcionários públicos, ajam como tal. São sindicalizados, querem mais uns tostões, são iguais ou piores que os outros. E, mui indignamente, declaram que vão fazer uma data de greves, não umas greves quaisquer, mas greves que tenham por objectivo atrapalhar as várias eleições de 2019. Um extraordinário serviço à democracia, como é de ver.

Longe vão os tempos em que os “doutores” juízes eram figuras prestigiadas pelos povos que julgavam. Longe vão os tempos em que eram uma classe aparte. Hoje são iguais aos estivadores, aos tipos da CP, às chamadas hospedeiras de bordo e, vergonha das vergonhas, aos “professores”.

Nos alvores da democracia, usava dizer-se que os órgãos de soberania não faziam greves. Mas, com estes como tal auto-proclamados, já não é assim. Greves é que é bom. Quando se trata de uns cobres e de exigências várias, deixam cair a toga.

Depois, queixem-se de não ser respeitados.

 

4.11.18

JUSTIÇA ELEITORAL

 

Tenho andado muito comovido com a má sorte de uma tal Maria Begonha, aparatchique do PS, a quem deve inúmeros empregos. A rapariga que, a avaliar pelas fotografias dos jornais, já pouco deve à juventude, quer ser chefe das hostes da JS. Mas é perseguida por gente ordinária que a acusa de aldrabar o currículo (coisa absolutamente normal e corriqueira, sem qualquer importância) e de outras alegadas trafulhices que li por aí mas já não me lembro.

É pena. A cidadã mais não faz do que seguir altos exemplos de gente, sobretudo mas não só do PS, que chegou aos píncaros sem grandes preocupações curriculares.

O IRRITADO, respeitador de tradições, está com ela. Tanta injustiça é demais.

É de prever que ganhe as eleições. Até porque Begonha, no caso, não rima com vergonha.

 

4.11.18

ATRASO MENTAL

 

O IRRITADO já teve oportunidade – que desplante! - de se pronunciar sobre as lutas anti-petróleo lançadas por sectores da mais negra secção do politicamente correcto, dando fé da imparável onda de estupidez que assola o país e que, sobretudo desde a subida da geringonça ao poder, tem conhecido avassaladores píncaros.

Os últimos acontecimentos levam o IRRITADO a voltar ao assunto.

Inútil é chamar a atenção de tal gente para os factos. Facto é que um furo no mar a quarenta quilómetros do Algarve jamais teria qualquer influência no ambiente, no mar ou em terra; facto é que o país da Europa mais respeitador da ecologia humana, a Noruega, tem, no petróleo, uma riqueza imensa, que aplica em serviços públicos de altíssima qualidade e no amealhar da que, certamente, é a maior reserva financeira do continente; facto é que os escoceses (uma das razões que, antes do brexit, os levaram à ilusão da independência), os holandeses e outros europeus têm poços de petróleo à vista da costa, jamais tendo sofrido com tal presença; facto é que o petróleo continuará por muitos anos ainda a fazer parte da origem da energia usada pela humanidade, idiotas incluídos.

Mas a pressão da estupidez e da respectiva moda - na esteira, confessemos, da nossa velha tendência para o imobilismo e a pobreza - teve mais força que os “gigantes” da energia e que a paspalhice governamental. A iniciativa foi abandonada, os tais gigantes desistiram de procurar hidrocarbonetos por cá, para não ter que aturar uma população e um governo completamente destituídos de juízo. Devem ter ido bater a outra porta, já que oportunidades não faltarão sem ter que se sujeitar a demagogias baratas ou a medos pataratas.

 

Bem pode o país, guiado por quem o guia, continuar à esperado dia de São Nunca, neste como noutros temas, a começar pelo orçamento para 2019 .

 

2.11.18   

PROTECÇÃO DE DADOS

 

As nossas queridas autoridades, quem sabe se inspiradas nos emails da EMEL, tomaram a decisão de avisar os indígenas da aproximação de qualquer perigo, encarregando a chamada “protecção civil” de o fazer por correio electrónico.

Mergulhados que andamos na teoria da “protecção de dados pessoais”, ocorre-me perguntar por que carga de água tem tal e tão "estimada" organização o “direito” de saber o meu endereço. Onde foi buscá-lo? Aos arquivos do Big brother? Comprou-a a algum haker? Já estará, quem sabe se automaticamente, na lista da geringonça?

 

1.11.18

SENTIDO DE ESTADO

 

Só agora, vejam bem, dei pela frase mestra do senhor de Belém sobre a eleição presidencial do Brasil.

Disse ele: “Os países têm que se dar bem”.

Magistral. Leia-se: apesar da eleição do fascista – como diria Catarina et alia – não há volta a dar. Uma infelizmência. Os países têm que se dar bem, quer dizer, apesar de os eleitores terem feito asneira, que remédio...

Aqui temos um exemplo da mais alta diplomacia, de que nem a geringonça, oficialmente, seria capaz. O chairman vai mais longe.

 

1.11.18

REAL MENSAGEM

 

Francamente não sei qual foi o impulso que o senhor de Belém terá dado às relações peninsulares, mas parece que os espanhóis acham que deu. Ou então não sabiam a quem haviam de entregar um prémio qualquer e resolveram o problema de forma a não fazer ondas.

A coisa foi importante. Uma sala cheia de galegos, umas senhoras aperaltadas, uns senhores importantes, o Rei. Não fizeram a coisa por menos.

Acho muito bem. Mas como sou um tipo com um apreço muito relativo pelo distinto mais alto magistrado da Nação – dito assim faz lembrar o almirante Tomás -, reparei numa coisa que me despertou o sentido do ridículo. O Rei de Espanha recebeu um canudo com um laço encarnado das mãos de um áulico e entregou-o ao nosso ilustre compatriota. A seguir, apertou-lhe a mão. Mas, quando o premiado estendia o o braço e o corpinho para o abraço, Sua Magestade continuou a sacudir-lhe o membro superior, assim impedindo que o afectuoso gesto tivesse lugar. Ou seja, pôs as coisas no sítio. Calculo o que, no momento, Filipe VI terá pensado: vai lá dar abraços ao raio que te parta, isto aqui não é a Amadora, nem eu sou uma velha gorda.

Duvido que o senhor de Belém tenha percebido a mensagem.

 

31.10.18

O autor

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2006
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D