AFINAL, COMO É?
Tenham cuidado, diz o Costa do costume, afastem-se, não se cheguem, se puderem ficar em casa, fiquem, não larguem a mascarilha, vão às compras, crianças na escolas nem pensar, Lisboa continua confitada - perdão, covidada - nada de centros comerciais, nada de espectáculos - perdão, espetáculos – nadinha nadinha nadinha.
Não há bota que diga com a perdigota no primitivo linguarejar do chamado primeiro-ministro. A prová-lo, sua excelência foi ontem a um concerto no Campo Pequeno, com mascarilha e desinfectante. Fotos ainda não vi, mas calculo sejam gloriosas. Compreende-se, era uma exibição do celebérrimo senhor Nogueira, mais célebre até que o outro, o Nogueira condotieri dos professores, um divo consagrado e intocável. É isso. Tratando-se de tal figurão, levantou-se o confinamento, fase h8, ou xis4, para poder ouvir a certamente indispensável exibição de cultura nacional, ou nogueiral. Por isso, é inteiramente justificável que o alívio do confinamento dos espectáculos, que não há em Lisboa e arredores, tenha havido em Lisboa.
Vejamos, para melhor entendimento do que se passou: todo o país está em desconfinamento, ou desconfinação. Todo? Não! Lisboa fica de fora. A não ser que, com irrefutável coerência, com indiscutível lógica, com admirável respeito pelas pessoas, o senhor primeiro-ministro ache que as suas ordens são para cumprir, a não ser que ele ache que não são para cumprir, como no caso do senhor Nogueira. Já percebem agora? Eu também não.
2.6.20