BARRETES ELECTRÓNICOS
A mui estimável Via Verde começou agora a presentear-nos como uma extraordinária benesse, a saber: um tipo regista-se numa coisa, põe lá o número do cartão de débito e, se precisar de um carro, clica aqui e ali e é presenteado com um Mini à sua disposição num raio de uns 1000 metros, mais coisa menos coisa. Vai até lá à pata, abre a porta com o telemóvel, e ei-lo instalado na sua nova máquina, a qual deixará onde lhe apetecer, desde que dentro dos limites que a Via Verde soberanamente estabelece. Tudo bem. Quase de borla. Se você for do Saldanha ao Marquês fora da hora de ponta, pode pagar 29 cêntimos, muito mais barato que o Metro ou o autocarro. Fantástico! E tem sempre carrinhos à disposição. Maravilha!
Faça agora umas continhas. Como os tais 29 cêntimos são por minuto, se você andar uma hora pagará a módica quantia de 17,4 euros. E, se precisar do maravilhoso veículo durante 12 horas, lá se vão 208,8 euros. O dobro – 417,6 euros - se precisar da carripana durante um dia.
Dizem os entendidos que, no futuro, será tudo assim. as pessoas vão deixar de ter carro, de precisar de seguros, desde usem os locais determinados pela app não pagam estacionamento, e mais uma longa série de vantagens que a empresa vendedora dos serviços não deixará de referir e sublinhar. O pior é se se puser a fazer contas, ou a pôr na balança dos custos/benefícios a sua independência ou a sua pachorra para andar pela cidade à procura de Minis.
Não tenho dúvidas sobre o sucesso desta nova e brilhante iniciativa. Tudo mudou e vai continuar a mudar. Quando você tiver no telemóvel um acervo de 189.482 apps será um homem feliz. Mas, se deixar o Mini todo porco, estará feito ao bife. A cobrança é automática.
8.9.17