CANAVILHAÇÕES
O Arménio declarou que a manifestação dos prosélitos da propiedade estatal de tudo e mais alguma coisa, desta vez aplicada às escolas, se cifrou em 80.000 participantes. A Polícia também fez contas e afirmou que estariam lá à volta de 15.000 fervorosos estatófilos.
Não é difícil imaginar qual deles estará próximo da verdade, isto se tivermos em conta o não interesse da polícia na matéria e a profunda especialização do Arménio no “cálculo” dos números das suas multidões.
Nada disto surpreende seja quem for. É assim, e pronto.
Também não surpreende que a dona Não-sei-quantas Canavilhas tenha reagido, prenhe de indignação, ao facto de haver uma jornalista que parece estar mais de acordo com o número da polícia que com o do Arménio. Já viram a lata, a ousadia, o despautério?
A distinta prosélita do socialismo todo-poderoso não atura estas faltas de respeito pela “verdade”. E não vai de modas: exige que a tal jornalista seja despedida! E já. Ainda por cima tratando-se de trabalhadora de um jornal socialista (o “Público”).
Intolerável, como é evidente.
Tive a infelicidade de ver a protestária senhora uma vez, numa sessão de uma associação cultural de que sou membro. Baixota, toda arranjadona, mar de pinturas e cabeleiras, a dona ministra estava ali para “ajudar”. Embora a ajuda não valesse um caracol, manifestou copiosamente a sua autoridade, que o poder é o poder, a sociedade é treta.
Fiquei, como é de calcular, com a pior impressão possível sobre esta alta personalidade do socratismo de ontem e do costismo de hoje. Impressão que se viria a confirmar e agravar quando, mais tarde, a criatura aparecia na televisão a debitar trapalhices.
Coerente, a mesma pose, a mesma noção do poder “democrático”, a mesma “autoridade” moral para arranjar desemprego a quem for suspeito de não andar pelos carris da geringonça.
As coisas não mudaram tanto como se diz por aí. Voltaram cinco anos para trás e para pior.
20.6.16