CRIMES PÚBLICOS
Em segunda convocatória – a primeira resultara na palhaçada da aula magna – reuniu o pelotão dos gerontes, como sempre chefiado por esse trambolho raivoso que se chama Mário Soares.
A mesa reunia costumeiros esquerdo-histéricos, possivelente ansiosos que haja alguém, no seu perfeito juízo, que ligue às suas diatribes. “Deixá-los falálos, que eles calarão-se-ão-se”, diz a gíria. Não será bem assim.
Estas reuniões têm a sua utilidade. Fazem lembrar as comemorações dos cem anos do 5 de Outubro que, tendo servido para afagar as almas dos seus velhos amigos, serviram também para desmascarar a fatídica data perante a opinião pública. Agora, fica à vista a verdadeira natureza “democrática” desta gente, feita de frustração, ódio, raiva e muito pouca noção do mundo em que vive, quer queira quer não. Um mundo que, para bem e para mal, “matou” o dos seus sonhos de poder – um mundo em que, finalmente, o socialismo se apoderasse das pessoas, como se as pessoas reais tivessem alguma coisa a ver com a “impessoalidade” de tal doutrina.
O socialismo triunfou, ou, por outras palavras, teve alguma “utilidade”, quando se tornou “liberal”, isto é, quando soube compaginar-se com o capitalismo, que lhe fornecia os meios para ir fazendo umas coisas. Deixando de haver tais meios (o dinheiro dos outros), o socialismo faliu e, por muitos anos, terá que meter a viola no saco. Isto, se falarmos do socialismo com alguma “altura” moral, o que há muito deixou de ser o caso destes raivosos fora.
O pelotão – já não é brigada, sequer batalhão ou companhia – do reumático apresentava um leque de gerontes da alto coturno: o tal Soares, ladeado por figuras de lata de conserva, o Rosas, o Lourenço, o Matos Gomes (antigo capitão dos magalas comunistas que correram com o Jaime Neves dos Comandos, hoje “historiador independente”), o golpista Sampaio, essa desgraça humana do Freitas do Amaral, e tutti quanti, banqueiro do socialismo incluído. Um invejável e vasto leque de falantes múmias do socialismo obrigatório.
Do que a “informação” passou cá para fora realce-se a tristeza do Lourenço ao constatar que não há “condições” para uma revolta militar que acabe com o governo. No seguimento da tese da paulada que há tempos defendeu, acha que deve ser “o povo” a dar cabo do governo, isto é, da odiada democracia formal. Já há, diz ele, “legitimidade (dos militares) para correr com esses tipos que estão no poder; não há é condições”. Que maçada!
O Soares, esse, vai mais longe: os dislates foram de tal ordem que, pelo menos o jornal que tenho à frente, não os citou. Asneiradas que até a um jornal socialista envergonham. Apelo ao derrude da democracia por qualquer meio, por violento que seja. A máscara caiu-lhe. Na aula magna tinha dito que as circunstâncias podiam levar à violência, o que foi legitimamente interpretado como apelo à dita. Desta feita o velho demagogo pede que haja mesmo violência. Não tarda, apela à guerra civil.
As palinódias das múmias, tipo Freitas (cheio de saudades da União nacional), são o menos. O que fica desta reunião é o incitamento ao levantamento popular e ao uso da violência. Reconheça-se que mais lhes não resta, uma vez que estão agarrados ao cemitério das suas ilusões. O mundo já é outro. O que se seguirá, seja o que for, jamais será o deles, ou seja, o do poder deles. Mas a massa cinzenta já não lhes chega para o perceber.
Uma nota final, à atenção da dona PGR. Os díscolos políticos acima citados incorreram, de forma pública e notória, pelo menos nos crimes “incitamento” – “à alteração violenta do Estado de direito”, “à desobediência colectiva” e “à guerra civil”. Tudo devidamente tipificado no Código Penal. A dona PGR não viu, não ouviu, estava distraída?
Ou estes crimes só merecem atenção quando praticadas por gente “baixa”?
23.4.14
António Borges de Carvalho