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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

DA ELEITORAL PESSEGADA

 

Uma fartura! Não, não se trata daquelas farturas fritas, com açucar e canela, que põem as tripas a exsudar gorduras saturadas durante quinze dias. Nem sequer de churros, que são a mesma coisa em mais pequeno e empestam as tascas espanholas.

A fartura em causa é de partidos. Vinte candidaturas às legislativas, vinte e três partidos, dos quais uns dezasseis praticamente inexistentes. Para quem advoga que os partidos estão em crise, aí está a resposta: qualquer bicho careta faz um partido, e vai disto.

Não faltam opções. O que vai faltar são optantes, não por mor das abstenções, mas porque ninguém sabe quem eles são e, quando sabe, manda-os passear, que isto de eleições, digam o que disserem, é coisa séria.

Sem fazer concorrência ao INE, estimo que, nesta chusma de partidos, haja um bolchevista, um maoista, seis de extrema esquerda, hoje ditos radicais, uns três de esquerda não extrema, ditos de esquerda democrática, mais uns três de direita, um de extrema direita, dita fascista, quatro centristas, e outros quatro que não faço ideia o que sejam nem sei se alguém fará.

De um ponto de vista lúdico, diga-se que a esmagadora maioria das organizações em disputa não passa de folclore, artesanato ou brincadeira pouco esperta.

Da horda de brincalhões, os chamados media seleccionarão, via altos e meritórios critérios, os que entenderem dar a conhecer à plebe. Os que não são brincalhões ficarão sujeitos aos mesmos critérios.

Não quero desmerecer do acto eleitoral, quem desmerece dele é quem, nada dizendo que interesse, ou sabendo seja o que for, aproveita para deitar a cabecita de fora, a ver se é visto. O mesmo no que se refere à lei eleitoral e à permissividade da constitucional burocracia.

 

Mas nem só de legislativas vive a política. Temos à espreita as presidenciais, estas inúteis e/ou contraproducentes. Só na zona do Rato já vamos em três candidatos declarados. Do PC virá, garantidamente, mais um. Da esquerda folclórica, ou caviar, uns dois ou três são prováveis. À direita há três hipóteses, sendo de prever que só uma avance ou, vá lá, duas. Há depois uma panóplia de raminhos de salsa que não servem para nada que não seja rapar as sobras na frigideira do protaginismo.

A pergunta a fazer é esta: para quê? Em nome de que “princípio” se faz uma campanha, se gasta muitos milhões de euros, se põe os eleitores a votar num senhor que não tem poder político, que se sente na obrigação de se mostrar, que se arroga a posse de um “poder moderador” que não tem, que, para propalar que existe, se vê na contingência, de que muito gosta, de mandar bocas sobre isto e aquilo, pouco ou nada podendo fazer para mudar isto ou aquilo. Ao ponto, rigorosamente deletério, de haver presidentes como Eanes ou Soares, que fazem a vida negra aos governos de outra cor, ou como Sampaio que, para se mostrar, se armou em chefe da tropa e, pior ainda, não hesitou em ferrar um golpe de Estado para pôr os seus no poleiro. Ou Cavaco que, em nome da estabilidade, aguentou como um herói as deslealdades do Pinto de Sousa e, depois, em nome do mesmo princípio, com um governo da sua cor, se dedicou a dar uma no cravo outra na ferradura.

Para que serviram todos estes ilustres senhores? Para que serve a dupla legitimidade, seja ela da mesma cor, ou leve à coabitação? Um presidente, ou manda, como o francês, podendo admitir-se que seja eleito por sufrágio universal, ou só representa, como em todos os outros regimes democráticos da Europa Ocidental e, nessa altura, é eleito pelo parlamento, relectindo os equilíbrios políticos existentes. Há ainda o caso das monarquias europeias – onde melhor funciona a democracia – em que os reis são objecto de confirmação parlamentar.

O sistema português é único, ridículo, idiota e confusionista. E é para alimentar esta coisa que se põe os portugueses a votar!

 

23.8.15

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