DA GENIAL GERINGONÇA
PALAVRA DADA
No programa jurado, na palavra dada e na letra assinada da lei, o chefe Costa não foi de modas: “a sobretaxa acaba a partir de 1 de Janeiro de 2017”. Não acaba. Mentiroso? Nem pensar! O homem disse, jurou, prometeu, escreveu e assinou. Mas é preciso perceber que, tal como se virou a página da austeridade, também se virou a do português pré-geringonça. Só almas oblíquas, desonestas, anti-patrióticas e mal intencionadas podem dizer, sequer sugerir, que o chefe Costa mentiu, ou não honrou a palavra dada.
Vejam bem: “a partir de 1 de Janeiro de 2017”, em português antigo, queria dizer que, em 1 de Janeiro, acabava a sobretaxa. Mas não é isso o que lá está escrito, não é essa a palavra, a jura, o compromisso. É que, se é “a partir” de 1 de Janeiro de 2017, só quer dizer que é “a partir de”, sem se dizer quando: se for em Dezembro de 2042, quem pode dizer que não é “depois de 1 de Janeiro de 2017”. A expressão “partir”, em geringoçolíngua quer dizer, como é evidente, “depois” de 1 de Janeiro de 2017: pode ser em qualquer altura, como é evidente.
Calem-se as línguas viperinas que chamam nomes ao homem!
MAGIA
Lá em casa, se o ordenado baixar e a despesa subir, ou vendemos o carrito, ou vamos pedir emprestado, ou tratamos de dar a volta. Mas o país não é lá em casa, pelo menos nas mágicas mãos da geringonça. Se não, ouçamos as sábias palavras do apoderado do chamado primeiro-ministro, um tal Pedro Nuno: “os impostos vão baixar, as despesas subir, mas o equilíbrio não abana”. Isto, com a economia a patinar. Nem o mágico Merlin seria capaz de tal feito, nem o homem da banha da cobra lá chegaria. Só a poção mágica da geringonça o fará. Confiança, meus amigos, confiança!
OS MAIS DESFAVORECIDOS
Aqui está uma classe que muito ficará a dever ao chamado governo: a dos mais pobres, ou seja, daqueles que, por obra da “direita”, nunca pagaram IRS. É que, com a subida dos impostos indirectos, tal gente vai passar a pagar mais impostos, os mesmos que toda a gente. É o que se chama redistribuição.
Mais uma vez, o meu conselho é: sosseguem, confiem, agradeçam: a geringonça vai contemplá-los com mais um euro e trinta cêntimos por mês. É d'homem, caraças!
MISTÉRIO DESVENDADO
Aqui há tempos, o chefe Costa, lado a lado com o inefável Medina, anunciou que ia financiar a reabilitação urbana com largos milhões que ia buscar ao fundo de estabilização da Segurança Social. Almas danadas que por aí andam, IRRITADO incluído, vociferaram que o chamado governo se preparava para encher uma data de patos bravos à custa de mais um buraco na Segurança Social.
A coisa, de facto, era estranha, mas foi ontem esclarecida, para bem do povo: a derrama do IMI – uns 170 milhões – vai para o tal fundo de estabilização, ou seja, quem não tem nada a ver com a Segurança Social vai financiar os patos bravos. Depois não digam que o quadrilátero não é genial.
15.10.16