DA GESTÃO CAMARÁRIA
Ao longo dos últimos anos, veio o IRRITADO denunciando as manobras dilatórias da CML no que respeita ao problema Parque Mayer/terreno da antiga Feira Popular, monumental imbróglio cujas visíveis consequências são o abandono de ambas as preciosidades citadinas, esmeradamente entregues a nobres habitantes, ratazanas e similares, e cujo aspecto urbano é uma vergonha de dimensões cósmicas.
Valeu tudo, desde pôr em causa decisões maioritárias (PS/PSD/CDS/PPM/independentes) da Assembleia Municipal, até manobras pidescas destinadas a pôr uma casca de banana debaixo dos pés de um odiado espertalhão lá do Norte, passando por processos judiciais contra pessoas sérias, tudo para individual auto-glorificação de um tal Fernandes, muito conhecido por, ao serviço de um camarada, querer pôr mais contentores em Alcântara.
Parece que, finalmente, o Costa chegou à conclusão que dez anos já era demais e que se estava a arriscar a levar na cabeça em Tribunal por causa das loucuras daquele seu apaniguado, a que tinha, inteligentemente, dado cobertura.
A situação a que toda a camarária trapalhada levou é de tal ordem que, de rabo entre as pernas, o Costa chegou a um acordo com o espertalhão de Braga: vai pagar-lhe 106,6 milhões de euros em dez anos, com certeza com os respectivos juros. E não é tudo. É que falta chegar a acordo sobre os dinheiros que o homem gastou com esta história ao longo dos anos, mais os encargos financeiros que teve que suportar, mais o que perdeu por ter sido impedido de fazer qualquer negócio com os terrenos, mais isto e mais aquilo e mais aqueloutro, num montante geral que ascenderá a “vários milhões de euros”.
Nada disto teria ocorrido se a CML tivesse a) respeitado as decisões da Assembleia Municipal a que deve obediência, b) se o Costa não se tivesse deixado levar pelas conspirações do Fernandes, c) se houvesse, na CML, alguma sombra de respeito pelos interesses da cidade.
Agora, o dinheirinho dos nossos colossais impostos, licenças, alvarás, coimas e outras receitas municipais, vai parar direitinho ao bolso do figurão de Braga que, se houvesse algum juízo por parte da Câmara, já tinha urbanizado em Entrecampos, e estaria a estas horas, com a crise, metido num belo molho de bróculos. Ou seja, uma data de problemas tinham saído da CML e entrado na Bragaparques.
Mas, ó felicidade!, o Costa (diz ele!) vai “recuperar” os mamarrachos mais “nobres” do Parque Mayer. Quanto ao resto, logo se vê.
Mais um admirável serviço que os alfacinhas ficam a dever à impecável “gestão” socialisto-roseto-fernandina da Câmara Municipal de Lisboa.
Demos graças.
16.1.14
A ntónio Borges de Carvalho