DA INDECÊNCIA DO “PÚBLICO”
Tinha muita consideração pelo senhor Manuel Carvalho, actual director do “Público”.
O seu editorial de ontem veio dar cabo de tudo.
Com carradas de razão, o articulista revolta-se contra a utilização para fins terceiros dos milhões da UE destinadas à reconstrução do que desapareceu nos incêndios de 2017. Chama ao caso “indecência”. Muito bem.
O pior é o resto. O governo fez o que todos os governos fizeram, diz ele, e exemplifica com verbas para o interior desviadas para vias que beneficiam toda a gente. Uma desculpa esfarrapada, como é evidente. E mais. Quem são os governos anteriores em causa? Os do “PSD de Passos e de Cavaco”. Ou seja, o de Sócrates, PS, ou nunca existiu ou jamais utilizou tais expedientes. O de Costa tem “desculpa”, por causa dos pecados do PSD.
Ou seja, a condenação da “indecência” tem limites. O governo PS mais não faz que seguir os do PSD que, por elementar lógica, passam a indecentes. Ou, afinal, a indecência do PS não é tão indecente como isso.
Eu sei que a imprensa está maioritariamente ao serviço da geringonça. Tem medo da geringonça. É feio, mas natural. Mas não esperava tal coisa da parte do senhor Manuel Carvalho. Diz-se que no melhor pano cai a nódoa, o que seria verdade se o pano não estivesse cheio de fibras sintéticas.
6.9.18