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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

DA MORAL DOS DITADORES

 

Já tenho escrito isto várias vezes, mas não será mau repeti-lo, a ver se alguém lê com olhos de ler: o mais espantoso do referendo do Syriza é ter sido aceite por aí como se correspondesse a alguma verdade.

Não é possível que uma enorme quantidade de sondagens, incluindo as feitas no dia da votação, aponte, sem excepção, para um empate técnico, e que o resutado seja tão alargado como foi, para um dos lados. Nunca, em parte alguma, um referendo foi organizado tão depressa nem tão em cima da hora. Bastava isto para desconfiar. E não será preciso ser muito imaginativo para pensar que a golpada estava preparada há muito, para ser vibrada quando mais conviesse. Os insultos, as ameaças, as carroceiradas, não chegavam, isto é, não surtiam efeito. Daí que fosse preciso uma espécie de arrochada de surpreza, bem preparada, com uma contagem que não deixasse lugar a dúvidas. Coisa de profissionais.
Estou convencido que “a Europa” come disto para não criar mais problemas. Denunciar a chapelada do Syriza e da extrema-direita podia ser pior que fingir que se aceita o resultado.


Outra questão, que o futuro talvez venha a esclarecer, é a de saber se um governo, sem denunciar tratados, sem pôr em causa nenhum nenhum pacto ou compromisso nacional formalmente subscrito, ratificado e aceite, tem legitimidade para fazer o que o Syriza tem feito. Não é, mas assim acontece.

Será legítimo aceitar pertencer a uma organização onde vigora (mal, a meu ver) a lei da unanimidade, para depois se opor a ela de forma diplomática e curialmente inaceitável, em vez de a discutir, mais tarde, de pleno direito? Não é, mas assim acontece.
Será compreensível que um governo acabe, propositadamente, com o hesitante mas positivo caminho que o seu país estava, apesar de tudo, a começar a trilhar, substituindo-o pelo descalabro social, económico e financeiro a que vimos assistindo? Não é, mas assim acontece.
Será legítimo, depois dos variados insultos e chantagens em que é mestre, vir um governo esgrimir que a chantagem é dos outros, de todos os outros, e que a solução tem que ser a dele com excepção das de todos os outros? Não é, mas assim acontece.
Será legítimo que, por cegueira ideológica ou exibicionismo teimoso, se reduza a zero a capacidade de um povo inteiro financiar o seu dia a dia, exigindo de terceiros que metem quase cem mil milhões nos bancos, e que tal pedinchice seja feita por quem acusa os demais de ter ajudado os bancos? Não é, mas assim acontece.


É evidente que, se a “solução” vier a ser o que o Syriza propõe, não passará em vários parlamentos e em vários governos. Mesmo a “solução” que os parceiros europeus da Grécia tinham proposto e que o “referendo” recusou, passaria? Tenho as maiores dúvidas.


É possível afirmar, ou aceitar, que as políticas do Syriza tenham alguma coisa de democrático? É, ou seria, com uma condição: que o Syriza decretasse a saída da Grécia do euro e da União, e depois fizesse o que lhe desse na gana. Enquanto estiver comprometido com estas coisas, não pode eximir-se a elas, boas ou más. Nem pode fingir que a tal soberania, com que tanto esgrime, não tem os limites a que se comprometeu, isto é, que não é partilhada com terceiros. Achar que a “soberania” dos gregos, mesmo expressa em referendos duvidosos, se sobrepõe à dos outros, aos que aceitam os seus limites, é digno da “moral” de ditadores, não da de democratas.

7.7.15

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