DAS IDEIAS DO OCO
Debrucemo-nos um pouco sobre o brilhantismo do Oco, quando resolve ter uma ideia.
A fim de propiciar um “ambiente amigo” ao investimento estrangeiro, o homem teve uma espantosa ideia: criar tribunais especiais para o efeito. Tribunais rápidos, eficazes, baratos.
E nós que julgávamos que isso de tribunais especiais (não confundir com especializados) era coisa de ditaduras!
No especial cérebro do Oco, a coisa deve ser assim: se um investidor português tiver um problema legal ou um conflito para dirimir, continuará nas malhas da confusão e da pessegada, esperará vinte anos para ver as coisas resolvidas, perderá tempo e dinheiro, verá a vida enforcada nas malhas da burocracia judicial, etc. Mas, se for estrangeiro, a coisa resolver-se-á em duas penadas.
O Oco acha que reformar o sistema, pôr os agentes da Justiça a carburar, disciplinar os juízes, é coisa que não colhe, vício de “liberais”. O melhor é continuarmos a ter mais gente na Justiça que a generalidade dos europeus, desde funcionem mal. Para estrangeiros, fia mais fino.
O Oco é contra tudo o que se está a fazer na Justiça, e até promete acabar com o mapa judiciário da dona Paula: velho hábito nacional de começar por desfazer o que os outros fizeram, com o argumeno que foram os outros a fazê-lo.
O Oco, no vazio mental em que vegeta, por uma questão de caridade até pode ser tolerável. Agora, porém, parece começar a ser mais perigoso do que se julgaria.
10.2.14
António Borges de Carvalho