DEMOCRACIA MUSCULADA
Rezam as crónicas que, nos últimos oito dias, foram, nos radares de Lisboa, aplicadas 16.000 multas de excesso de velocidade. E, nas auto-estradas, nada menos que 2.000.000!
Algo me diz que aqui há gato. Vários gatos.
Antes de mais, é de uma evidência cristalina que os radares servem sobretudo para arranjar mais dinheiro para o Estado, coitadinho, que cobra poucos impostos. É absolutamente impossível que haja dois milhões de condutores a guiar a velocidades perigosas. Donde, ou os limites de velocidade são exageradamente baixos, ou os radares estão desafinados, ou isto é como largar perdizes de cativeiro aos milhões para facilitar a gabarolice dos caçadores.
Um exemplo interessante é o que se passa na Alemanha: a polícia não perdoa, mas os limites são função da intensidade do trânsito, do estado da estrada e de outros factores de risco. Não há velocidade única, a cada troço o limite é assinalado, onde tal não acontece não há limites.
120 à hora é um absurdo, se aplicado indescriminadamente, e um atentado se aplicado à bruta, sem outro critério que não seja o do lucro estatal.
Pior é o que se passa na cidade. Constrói-se vias rápidas para andar a 50 à hora! E já é muito bom: em não poucos troços, a coisa baixa para 30, como fosse possível cumprir tão absurda violência! É a Câmara a sacar o dela, muito mais que a cuidar da segurança de cada um.
Se alguém (o ACP, por exemplo) fizesse um estudo sobre as causas dos acidentes talvez a ditadura oficial pudesse ser morigerada.
Mas não vale a pena. Como no tempo da II República, manda quem pode obedece (e paga!) quem deve.
10.2.23