DUPLICAÇÃO
O nosso tão estimável governo, coitado, tem sido acusado de ser o mais vasto de que há memória. Uma data de ministros, uma chusma de secretários de estado com confusas ou redundantes competências, as mais delas próprias de directores de serviço, numa esquisita confusão que dificilmente se percebe como pode funcionar.
Não contente com esta proliferação de gentes e de tarefas, o PS, sequioso de tudo dominar, vai duplicar o cargo de ministro das finanças, nomeando para elas um de entre os fiéis seguidores de Centeno, avatar do nosso Visnu, e pondo o próprio a governar (também) o Banco de Portugal.
A Centeno, contra a maioria dos deputados e escapando burocraticamente à aplicação de uma lei que “não interessa”, será oferecida a execução da vingança com que há anos sonha por nunca ter passado de funcionário de segunda linha no tal banco. Ao governo caberá ter mais um membro, isto é, dar cabo dos restos de independência de que o banco gozava.
Fica fechado o círculo do poder. É a democracia trumpista à moda do socialismo nacional.
13.6.20