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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

FLOP

Para que serve, afinal, a fabulosa investigação jornalística sobre os documentos roubados à Mossak Fonseca?

Para encontrar negócios offshore do senhor Salgado e do seu BES? Toda a gente sabia disso (houve até, há anos, aquela anedota que dizia que a Catarina Salgado, mulher do Pinto da Costa, era filha do Ricardo Salgado e de uma offshore…): as autoridades judiciais andam há anos em cima do assunto. Para saber que o amigo do Pinto de Sousa e seus apaniguados usaram ou usam contas daquelas? Mais uma vez, não há quem não saiba, é chover no molhado. E por aí fora.

Onde estão os anunciados cartéis da droga, acoitados em ilhas e paraísos? Não estão lá, ou são gente do melhor? E os financiadores do terrorismo, tudo malta fixe, não usam a coisa? Os vendedores de armas ilegais, os compradores do petróleo ao Daesch, os traficantes de virgens, não constam? Não há disso?

O que há é perseguiçãozinha, invejazinha, fabricação de manchetes… nada que, a não ser pela rama, vá recuperar impostos, destapar crimes, punir burlas, trazer algum bem à humanidade, ao Estado, à transparência ou mesmo a “valores” da moda. Por esmagadora maioria, os “apanhados”, ou não passam de malandrecos, ou “valem” peanuts, ou não fizeram nada de ilegal. É vê-los aí, nas primeiras páginas, enlameados pelo que está a dar mas, aposto, sem ponta por onde se lhes pegue ou valha a pena pegar.

O que se passa afinal, se atendermos a dois ou três princípios que se julgaria importantes para a vida em sociedade? Passa-se que bandos de hackers, de assaltantes, de violadores de correspondência, de intrusos sem mandato, entram onde não deviam, apossam-se o que não é deles e, depois, apresentam-se ao respeitável público como santos saneadores da vida das nações. Nem sequer usam os materiais de que se apossaram para apresentar casos duvidosos às autoridades dos respectivos países. A utilidade é a simples denúncia de nomes, suspeitos ou não seja do que for, mas que, por obra e graça desta “investigação” movida pela “justiça informativa”, milhares de pessoas, com culpas ou sem elas, são tornadas suspeitas… de quê? Porque não vão mais fundo, antes de encher primeiras páginas com nomes, sem cuidar de saber se têm, no cartório, seja que culpa for? Faz lembrar os “arquivos Mitrokin”, grande malha do “Expresso”. Salvo meia dúzia de excepções, outra coisa não aconteceu senão salvar a face a dúzias de espiões soviéticos de alto coturno, misturados que foram com gente cuja culpa era a de fazer parte de listas maradas do KGB que tão só significavam que os burocratas de tal e tão distinta organização se entretinham, nos cafés de Lisboa, a brincar com nomes quando não tinham mais nada que fazer.   

 

Ainda vai passar muita água por baixo das pontes até que esta mina informativa se esgote. Um ou outro tipo vai ter umas chatices mais graves ou mais caras do que as causadas pelas parangonas, os que já estavam a ser investigados continuarão a sê-lo, haverá mais uns, quase todos para arquivar, e a coisa acabará por ter parido um rato.

Está certo: o que interessa aos promotores do ciclone é explorar o filão até que o público se canse. Quando a matéria deixar de vender, outra se arranjará.

O pior é que, entretanto, caiu por terra uma série de valores que sustentavam as democracias ocidentais. Talvez seja o dealbar de nova civilização: a dos bufos, dos polícias privados e da “justiça” popular.

 

Um flop, mas um flop perigoso.

 

 

23.4.16

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