GENTE DO MELHOR...
Uma notícia:
O excelso e mui apreciado advogado Proença de Carvalho subestabeleceu no seu desbocado colega e ilustre desconhecido João Araújo a defesa do seu cliente José Pinto de Sousa, dito engenheiro Sócrates ou, simplesmente, 44. Isto no que se refere a um número incerto de processos que corriam no seu escritório, no qual se não insere o relativo à chamada “Operação Marquês”, que já estava nas mãos do segundo. O mesmo parece ter acontecido em relação ao motorista do arguido em causa.
Proença de Carvalho tornou-se conhecido do grande público na qualidade de director do saudoso “Jornal Novo”, único diário que, no meio da loucura bolchevista de 74/75, foi capaz de lutar pela liberdade e denunciar sem medo as trafulhices do MFA, PC e apaniguados. O “Jornal Novo” – já Proença lá não estava - acabou pouco depois, sendo substituído por outro baluarte liberal, o vespertino “A Tarde”, que também viu os dias contados, talvez por não tergiversar ou por viver num meio em que o socialismo ainda inquinava a cabeça da maioria.
Muitos anos passaram. Empurrado pela fama obtida e por inegável jeito para a profissão, lá foi singrando. Muito bem. Engana-se porém quem pensar que se manteve fiel ao que dele se esperava. A vida faz isto às pessoas, não é? Proença passou a ser uma espécie de faz tudo o que dê, legalmente, dinheiro. Politicamente, acabou a apoiar, jurídica e politicamente, o 44 e o seu sucessor e fiel seguidor António Costa.
Agora, pense-se o que se pensar, parece que o nosso homem quer “voltar às origens”. Ou, mais propriamente, tirar o cavalinho da chuva. Saúde-se, com espanto e tristeza.
Um comentário:
Muita gente se tem manifestado temerosa acerca do desfecho do processo “Operação Marquês”. E se o procurador não conseguir reunir provas suficientes para condenar um arguido que está há seis meses em prisão preventiva? Que desprestígio para a justiça! Que derrota para o sistema! Que descrédito para o país!
Compreendo a inquietação, mas não alinho no catastrofismo. A verdade é que, condenado ou não, já se sabe de quem se trata, por comprovados pecadilhos do passado e por uma data de pecadões do presente, estes, aliás, já confessados pelo próprio por palavras e escritos posteriores ao seu encarceramento.
Um agente técnico camarário que assinava projectos de terceiros para outra câmara, projectos da pior qualidade estética e urbanística, autênticas vergonhas administrativas. Um estudante que tirou um curso qualquer com o auxílio de várias e suspeitíssimas calçadeiras. Um tipo que, vindo de um partido, subiu noutro sabe-se lá como e porquê. Um político que aprovou o que aprovou, sempre sob, talvez infundada, suspeita: Cova da Beira, Freeport, etc., e lá foi subindo, cheio de invejável paleio, apoiado por uma coorte na qual sobressaem nomes como os de António Costa, Mário Lino, Paulo Campos, Vieira da Silva, Santos Silva e tantos outros de má memória e temível presente. Liderou o país até à bancarrota final que a crise internacional precipitou, mas que, sem crise internacional, ainda teria ido mais fundo.
Corrido do governo em eleições, tratou da vida. Não quis trabalhar. Tinha assento no parlamento (era o seu emprego!), mas não quis lá sentar-se. Era coisa baixa para tão alto senhor. Pediu um empréstimo à CGD e comprou um Mercedes dos mais caros, capaz de levar o empréstimo todo. Sem ordenado nem rendimento que se visse, contratou um motorista e uma secretária. Mudou-se para Paris onde passou a viver à custa de um amigo que lhe mandava dinheiro aos milhões, para viver à grande, para ir de férias como um lorde, sabe-se mais para quê, um amigo que lhe emprestou um magnífico andar num sítio onde só chegam, ou vivem, embaixadores e milionários. Era só pedir, e lá vinha a massa: a que fosse precisa e a que não fosse. Arranjou um emprego onde não trabalhava, só recebia. Como o ordenado era baixo (12.000 euros por mês) arranjou outro, onde também não trabalhava mas que rendia o mesmo. Limpinho, sem impostos, sem taxas, sem chatices. Tudo isto confessou, sem deixar lugar a dúvidas. Era tudo amizade!
Aceitemos a verdade do homem. Aceitemos a hipótese de a Justiça não provar que o dinheiro era dele, que o recebeu de luvas e o pôs em nome de outrem. Facto é que está provado, sem ser preciso Justiça nenhuma, que o indivíduo não quer trabalhar, que tem empregos marados, que vive à custa de terceiros, que recebe toneladas de dinheiro emprestado, dinheiro que jamais pagará, um chuleco miserável, um troca-tintas, a fazer inveja a qualquer vigarista, mesmo dos mais experientes.
Querem mais? Não vale a pena. Depois do que confessou, até por escrito, só políticos da qualidade do Mário Soares ou do Ferro Rodrigues o elogiam. O António Costa, esse esconde-se atrás de uma peneira, a julgar que, não criticando nem elogiando o chefe, se safa de ter sido seu número dois, de jamais se ter dele demarcado, de nunca ter tido uma palavra sobre o que o seu (dele, do Costa) governo fez à gente.
É um tipo destes que querem para governar? Também há quem se suicide, mas não é coisa que se recomende.
2.6.15