“INCONSEGUIMENTO” CASTRENSE
Desta vez a senhora da Assembleia portou-se à altura. Mandou bugiar o Vasco Lourenço e a sua boiada.
Que gente, afinal, é esta, que ameaça paulada, que faz exigências bacocas, que é primitiva e rasca e ignorante, que anseia por poder sem eleições, que não quer sair de cena, que se quer sentir dona do país, referência da democracia, consciência nacional, que põe pela ruas da amargura a dignidade que possa haver no 25 e que, apesar da sua radical estupidez, ainda há, reduzindo-a ao ridículo, gente possuída pela sanha de querer ser mais que os outros, de querer tutelar o regime, de exigir direitos que não tem, nem merece, nem têm cabimento, de pôr de lado o que de melhor terá feito (entregar o poder ao povo por via eleitoral)? Que gente é esta?
Porque não se metem num partido, ou não fazem um partido para pôr as suas “ideias” à disposição dos eleitores? Porque querem que as pessoas pensem que, afinal, fizeram o 25 para cavalgar a democracia, ou que o que queriam era só mais dinheiro, sobretudo o dinheiro que os milicianos, que faziam a guerra por eles, ganhavam e que, muito mais do que eles, se batiam, mesmo quando nada tinham a ver com a ditadura?
Porque convertem o 25 numa miserável questão corporativa, ainda por cima de uma parte restrita da corporação que dizem representar?
Estas perguntas, no entanto, não são reflexo dos principais problemas.
Problema é que haja quem se reveja nesta saloiada.
Problema é que os media dêem a estes ignaros direitos de destaque, em vez de os remeter ao caixote do lixo a que escolheram pertencer.
Problema é que, das Forças Armadas da democracia, a que ainda há quem se honre de pertencer, não venha reacção que se veja e que dê ânimo a quem ainda acha que o 25 deve ser comemorado.
A dona Presidente disse que “o problema é deles” e, por uma vez, disse bem: pô-los nos varais.
Mas o problema também é nosso, e esse é que é o verdadeiro problema.
11.4.14
António Borges de Carvalho