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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

JUSTICE EST FAÎTE!

Não sei quem terá sido o artista que fez passar uma lei destinada a punir criminalmente os cidadãos que sejam malcriados, insultem ou agridam os distintíssimos funcionários das finanças. Como se tais coisas não estivessem já, de várias formas, previstas no Código Penal. Deve tratar- se de uma lei “especial”, quer dizer, quem fizer tais pecados contra um funcionário da companhia das águas, do registo civil ou de outra porcaria qualquer, ok, não há problema. Mas, se for das finanças, vai dentro, pois então!
Numa ordem jurídica decente, poderia considerar-se tão hediondos crimes como agravante nos tribunais. Por cá, faz-se uma lei especial, quem sabe se para dar graxa aos sindicatos, os quais, como é de timbre, já vieram declarar que é pouco. Os sindicatos são insaciáveis, como está provado à saciedade. O governo já devia saber que não vale a pena tentar agradar-lhes.

O IRRITADO, dada esta súbita explosão das preocupações governamentais, deixa aqui uma sugestão: os funcionários das finanças deveriam ser obrigados a usar um capacete e um colete à prova de bala e a atender o público atrás de um vidro blindado. Aumentava-se-lhes a segurança, dava-se a ganhar aos fabricantes de capacetes, de coletes e de vidros, bem como aos empreiteiros encarregados da obra, descansava-se inúmeras consciências e aliviava-se os tribunais de mais uns processos.

Já agora, que fazer quando os funcionários das finanças, imperiais, poderosíssimos, tratam as pessoas com os pés, complicam o que é simples, arranjam interpretações malucas de parágrafos e vírgulas, invertem os ónus da prova, negam-se a apreciar documentos, provocam o surgimento de desesperos, arranjam matéria para complicadíssimas diligências, para acções judiciais estúpidas ou redundantes, etc., etc., etc.?
Que fazer? Nada. Estão no seu “direito”, não é? São mais que os que lhes caem nas mãos.
Experimente pedir o livro de reclamações. Não serve para nada mas, no momento, alivia a sua indignação. Feito o pedido, o funcionário olha para si e pergunta para que quer você o livro de reclamações. Você contém a legítima fúria e diz que o tipo não tem nada com isso. Passadas mais umas trocas de amabilidades (tenha cuidado, não perca a cabeça, senão vai preso!), o funcionário/a levanta-se e vai “lá dentro”. Você espera uma boa meia hora – a coisa deve estar estudada para que você, que tem mais que fazer, se vá embora. Não vai. Aguenta. Até que vem “lá de dentro”, uma doutora qualquer que, com ar feroz, lhe pergunta outra vez para que quer o livro de reclamações. Você recorre às últimas reservas de paciência, e responde: para reclamar. Para reclamar o quê? E você diz que a doutora não tem nada com isso. Furibunda, a mulher vai “lá dentro” e, passada outra meia hora, volta com o tal livro. Entrega-lho. Você pede uma esferográfica, ficando logo a saber que “o fisco não é fornecedor de esferográficas”. Vai à rua, compra uma BIC. Regressa. O livro já foi “lá para dentro”. Pede a um funcionário que vá pedir o livro à doutora. O funcionário mira-o com um olhar assassino e responde que está a atender os contribuintes, não pode "lá dentro”.
Aqui, você lembra-se que, mesmo que não almoce, vai chegar ao emprego com duas horas de atraso. Como não é funcionário público, tem que ter cuidado com o patrão, não vá o diabo tecê-las. Sai. Passa pela farmácia e toma um Lexotan, daqueles de seis miligramas. Pensa: hei-de vingar-me destes gajos!


Mas não vinga coisa nenhuma. Amocha. Ao contrário do que se passa consigo, os tipos estão protegidos por lei.

18.10.14

António Borges de Carvalho

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