LA SPLENDEUR DE LA FRANCE
Nos esplendorosos salões do Eliseu - retrato da grandeur de la république -, iluminado por lustres rebrilhantes de cristais boémios, rodeado de preciosas tapeçarias, de gloriosos testemunhos da gaulesa história, de alabastros e balaústres, enquadrado por ogivas e arcarias, alçado em elevado palco, um pequenote mal enjorcado perorou ideias que, de baças e estúpidas, só têm paralelo lá para os confins das lusitanas plagas, no discurso dessoutro homúnculo, conhecido por Seguro nos jornais e por Oco neste blog*.
Agastado com a infame campanha sobre a sua vida privada, o jacobinão-mor deve estar a preparar o terreno para uma nova união de facto. Cansado da Segolène, da Rotweiller, da outra e do apartamento da máfia, o fulano já deve ter mandado preparar a Lambretta e o capacete para ir ao encontro da dona Ângela, rechonchuda e almejada substituta da actriz. Consta até que já mandou alugar um tê zero em Berlim. Que outra explicação arranjar para a extraordinária proposta de um “casal franco-alemão”?
Será que o homem nem sequer percebe que noiva se está marimbando para a França que há e que pouco tem a ver com a que o palerma acha que ainda existe?
Será que o homem não percebe que, lá na terra dela, as pessoas aceitam cortes nos vencimentos quando é preciso, em vez de vir para a rua aos gritos, como as mesnadas dos sindicatos franceses?
Será que ainda não meteu no bestunto que a noiva não aceitou até hoje nenhuma das propostas de namoro da importantíssima França, que já não tem importância, nem voz, nem dinheiro para andar por aí a armar ao pingarelho?
Será que ainda não interiorizou que está numa camisa de onze varas, como a Espanha e a Itália, e muito mais perto das lusas chafaricas que do poderio da noiva, ou até dessoutra grã-rival, a ditosa Britânia?
De certa forma, aceite-se que este ridículo pretendente mais não seja que um digno sucessor de tantos outros, que sempre declararam que a République era o máximo: o velho leão De Gaulle, que achava que tinha ganho a guerra e fazia a vida negra aos americanos e aos ingleses; o Giscard, que achava que La Fraaaannnce ia “dar” uma “constituição” à Europa; o gigante dos anões, Miterrand, e as suas fanfarronadas; o simpático Sarkozy, que teve que meter na gaveta os seus propagandeados eurobonds; etc..
Aos outros, ainda assistia poder gabar-se de uma economia a funcionar e de um Estado “social” longe de dar com os burrinhos na água. Este, que não tem nada disso, melhor faria se se “casasse” com os que, como ele, têm problemas graves, a fim de enfrentar com alguma força a noiva que escolheu, em vez de querer casar muito acima da sua classe. É que os casamentos desiguais não costumam dar bom resultado.
Para além da proposta de noivado, o mais que disse, ou foi puro bla bla, ou foi de tal ordem que o nosso estimado Soares, se o homem não fosse socialista, não tardaria a acusá-lo que ultra-hiper-super-neo liberal!
15.1.14
António Borges de Carvalho
*Ainda ontem, dizia este artista que, “se houver outro resgate em Portugal, só há um responsável: o governo e, em particular, o primeiro-ministro”. Este grito de alma calou bem nos nossos corações: é que, ignorantes como somos, julgávamos que o resgate em curso, que a crise em curso, que os cortes em curso, eram da exclusiva responsabilide do partido do Oco, quando, durante mais de seis anos, o senhor Pinto de Sousa se encarregou de nos arruinar. Mas, na imaginação psicopata do Oco, o senhor Pinto de Sousa nunca existiu, muito menos o “outro” PS. E, se tivessem existido, a culpa seria – um guess – do Dom Fuas Roupinho.