“LIBERDADE” CIENTÍFICA
Não há quem, ao comprar jogo do Euromilhões, não pense no que faria se ganhasse. No meu caso, para além do que é costume – distribuir por família e amigos, doar umas massas para a solidariedade privada, etc. –, pensei várias vezes que o meu contributo para a humanidade (passe a imodéstia) seria financiar uma grande conferência internacional sobre a falácia da antropogénese das alterações climáticas. Sonhos que disso não passam, na cabeça de um teso como eu.
Bom, verdade é que,finalmente, contra ventos e marés, houve alguém, não sei quem, que tomou como boa a minha sonhada iniciativa e conseguiu espaço para tal numa faculdade do Porto. É de saudar e admirar.
Ondas de censura (propriamente dita) se abateram sobre a iniciativa. A ditadura do politicamente correcto caíu a quatro patas em cima dela, de quem a alberga, de quem a aprova, de quem pensa, um milímetro que seja, “por fora” da verdade absoluta adoptada e propagandeada por governos e organizações internacionais. A “verdade” está estabelecida e é proibido pô-la em causa. Ao ponto de se dizer que a simples expressão de ideias desalinhadas é comparável ao “negacionismo” dos proto e neo nazis. Para o politicamente correcto, não concoradar com o establishement é crime de lesa humanidade, e deve ser banido. É o dealbar de novos totalitarismos.
O terror universal sobre as mudanças do clima está em vigor, custa triliões e, o que é mais grave, põe em causa a liberdade de pensamento e da própria investigação científica, a fazer inveja ao lápis da censura da II República e dos mais ferozes regimes. Faz também lembrar outros terrores “indiscutíveis” como o das vacas loucas ou da gripe das aves, que, felizmente, não tiveram pés para andar. No caso do clima, o terrorismo “científico” vai muito mais longe, penetra na sociedade em geral e, pior ainda, convence a humanidade da “culpa” que tem nas alterações que por aí andam.
É de uma evidência cristalina que a Terra tem assistido, ao longo de milhões de anos, a inúmeras alterações das condições que afectam o clima, algumas há relativemente pouco tempo. É possível que Terra esteja a aquecer, ao seu ritmo, não ao ritmo da presença humana, como sempre aconteceu. CO2 é coisa que sempre houve, até em quantidades exponencialmente maiores, sem que a actividade humana tivesse alguma coisa a ver com isso.
Mas o universal politicamente correcto e “cientificamente” indiscutível domina, e põe em causa, sem pudor, a própria liberdade. Em consequência, a humanidade, em vez de se preparar para a eventualidade de certas consequências negativas das alterações climáticas, abandona as exigências da ecologia humana e distrai-se dos problemas previsíveis em favor da estulta pretensão de “dominar” algo sobre que não tem poder de espécie nenhuma.
Esperemos que a conferência do Porto seja ouvida. Para tal, é preciso que a cobardia mediática não a ponha no seu já tão vasto index.
7.9.18