MAGNO ALMOÇO
Esse produto indigno de saneamento básico que se chama Basílio resolveu almoçar com os amigos. Nada mais natural. Só que a coisa foi preparada com requintes, comunicada a hora e o local à chamada “comunicação” social, todas as facilities à disposição. Temerosa e ordinária, como é de estilo, a tal comunicação fez-se representar em tal e tão grandioso acontecimento, com todos os meios técnicos necessários
A que se destinava o almoço? A comer? A conviver? A estudar problemas e soluções? Nada disso. Destinava-se a pôr os convivas a papaguear aleivosias, para gozo e lucro dos comunicantes.
Distinguiu-se o papagaio Freitas, de longe o mais eficaz na satisfação da encomenda do tal Basílio. Como dizem os hediondos liberais, não há almoços grátis. No caso do inacreditável Freitas, foi caro, mas pago com gosto. Soares foi menos “assertivo” que de costume. Saiu-lhe mais em conta. Sampaio tirou o cavalo da chuva, não pagou o repasto. Caloteiro, deve pensar o Basílio.
Atingido o objectivo, voltaram ao cano. Uma aula magna em petit comité.
24.1.14
António Borges de Carvalho