MORAL REPUBLICANA
Esta história dos cartazes do PS mereceria um artigo do mais chocarreiro humor, tal os que por aí proliferam nas chamadas redes sociais.
Mas nem isso me merece. O assunto é sério, na medida em que mostra a total ausência de escrúpulos da organização do pretendente Costa, isto é, a verdadeira e profunda natureza da dita.
Nestas coisas manda, devia mandar, uma elementar consideração pelas pessoas, coisa cinicamente brandida, não praticada, pelas esquerdas. O princípio tem que ser o da utilização da cara de cada um desde que cada um seja candidato ou equivalente ou desde que cada um seja profissional contratado, ou ainda, tratando-se de borlistas, que os mesmos autorizem expressamente a utilização da sua imagem para propaganda de terceiros.
Nada disso aconteceu. Uma senhora, desempregada desde os tempos do socratismo, é utilizada, sem o seu conhecimento, para ilustrar o desemprego causado pela crise que a incompetência e os desmandos desse mesmo socratismo provocaram. Outra, funcionária de uma junta de freguesia do PS (por sinal sob a presidência de uma ex-patroa de um bar onde se vendia uisqui de Sacavém), sem mais nem menos, é fotografada como exemplo de desemprego, afirmando que a culpa é do governo. A coisa, aqui, fia finíssimo. Não tendo pedido à rapariga para a utilizar, com que contavam os utilizadores? Evidentemente, com o medo do desemprego, isto é, fazendo-a presumir que a sua situação laboral podia ser afectada se protestasse. A patroa, ou seja, o PS, ou a punham na rua ou passariam a fazer-lhe a vida negra se piasse. A rapariga piou. Não lhe invejo a situação em que se meteu, tanto quanto lhe elogio a coragem. Faz lembrar um caso de violência doméstica, não faz?
O PS tem vindo a tentar arrepiar caminho com desculpas de mau pagador e fraseologia sem sentido, o que não interessa, ou já não interessa.
Ponha-se em cima da mesa a natureza da propaganda, a imitar o mais rasca do que se pratica lá para as Américas: as acusações aos adversários a substituir as “razões” do propagandista. Publicidade pela negativa, a roçar o insulto.
Não me venham dizer que este estilo é fruto da cabeça de algum profissional brasileiro, ou português, ou o que seja. Nem o mais estúpido acreditaria que de tal se trata. O estilo foi comandado por quem manda, quer dizer, pelo Costa. Este balofo tem, pelo menos, total responsabilidade política na matéria, coisa que passa a vida a exigir a outros por dá cá aquela palha. A bem de alguma réstia de coerência, devia, pelo menos, demitir-se.
Confiança em gente desta só a tem quem for parvo ou igual ao pretendente, isto é, sem escrúpulos.
A cereja no cimo da pastelada é dada com a mais repenicada e obsoleta mentalidade laico-jacobina. Esta importante, ou geral, ala do PS, veio criticar o único cartaz que fazia algum sentido: uma menina a levantar o escuro véu do passado recente, descobrindo a “luz” que brilhará com o advento do poder socialista. É mais uma aldrabice, é mais publicidade negativa mas, enfim, cada um tem o gosto e o carácter que tem, não se podendo exigir mais de quem mais não tem para dar.
Mas, lá no partido, levantaram-se indignadas vozes: o cartaz prefigura propaganda religiosa, o que tem odiosas conotações para um partido que, com certeza por engano, defende a respectiva liberdade. Inaceitável! O jacobinismo mais desavergonhado, mais bolorento, ou mais cheio de complexos de culpa. Esta, nem o Afonso Costa!
Por mim, o que falta ao cartaz é o aparecimento, no calor dourado do futuro céu, da imagem salvífica do Costa, sentado, qual Deus Padre, no seu trono, tendo à direita o Pinto de Sousa, e à esquerda o Santos Silva. Enfim, uma coisa desse género. Talvez agradasse mais às cavernas mal cheirosas do ultramontanismo republicano.
Em conclusão, quem põe a hipótese de votar nesta gente, que pense duas vezes no que nos vai meter.
10.8.15