NÉPIAS
Como sabe quem o lê, o IRRITADO é cliente habitual do jornal privado, predominantemente de esquerda - moderada ou radical - chamado Público. Recentemente, têm-se multiplicado os respectivos directores, desde uma tenebrosa senhora cujo nome me escapa, passando por uma desilusão chamada David Dinis, até ao actual salta-pocinhas Manuel Carvalho, muito se tem visto. Todos terão alguma qualidade, diga-se em abono da relativa justiça que anima o modesto autor destas linhas.
Passe a introdução. Este post é dedicado ao último editorial do actual director, basicamente alinhado com a generalidade da matilha jornalística que, subitamente, descobriu o “vírus da suspeição” (do título do artigo em causa) alegadamente existente entre o chamado primeiro-ministro e o senhor de Belém. De onde vem a descoberta? Do facto de o primeiro ter “acusado” o segundo de “ansiedade” no que se refere à investigação – se é que tal coisa existe – dos acontecimentos, ou não acontecimentos, relacionados com a história, ou histórias, de Tancos.
Não se sabe se os generalizados comentários fazem parte de alguma conspiração destinada a criar fissuras no monumental e, no pior sentido, exemplar relacionamento entre os dois.
Antes de mais, ao contrário dos comentadores de serviço, o que Costa disse foi que o governo não estava ansioso, só nas entrelinhas se podendo ler qualquer acusação a Marcelo. Pelo contrário, o substancialmente sublinhado por ele, foi a “total convergência” entre os dois.
É dessa “total convergência” que o país sofre, uma vez que a “magistratura de influência” de Belém se cifra exclusivamente no apoio político do Presidente à geringonça, matizado com um ou outro vetinho, mais destinado ao Parlamento que ao governo, sempre tendo como consequência o habitual “desveto”, após umas emendazinhas. Dir-se-á que, por exemplo em relação aos incêndios, o senhor de Belém fez um discurso “duro”, neste caso mais destinado a ajudar o PM a correr com a Constança do que a denunciar o mar de trapalhadas em que o dito se multiplicou. Sobre o orçamento, a política económica, o futuro, népias. Só indefectível a poio. Sobre o empurrar os problemas com a barriga, népias, sobre a palavra “honrada”, népias. Sobre a trapalhice do Infarmed, népias. Sobre a remodelação do Azeredo, na véspera considerado “um activo importante”, népias. Sobre a permanentemente reiterada irresponsabilidade e a indesmentível inocência do chefe da geringonça, népias. E assim por diante.
Mas os nossos plumitivos, talvez para dar algum sal a esta pasmaceira onde só a propaganda é gente, para a desculpar deram em descobrir, a propósito da “ansiedade”, terríveis divergências e suspeições.
E se fossem enganar o Bocage?
8.11.18