NOVOS CORONÉIS
Não, não estou a falar da tropa. Os novos coronéis são civis, e até são capazes de se dizer democratas. Se estivessemos na II República seriam candidatos à da Comissão de Censura.
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Lista para consulta e memória:
Carlos Borrego, Carlos Fiolhais, David Marçal, Filipe Duarte Santos, Francisco Ferreira, Helena Freitas, Luisa Schmidt, Manuel Sobrinho Simões, Pedro Russo e Teresa Lago.
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São estes os altíssimos representantes da nacional-ciência que encabeçam a lista subscritora de uma carta aberta contra a conferência sobre as alterações climáticas a decorrer na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Acrescente-se esta instituição à lista, uma vez que já tratou de, por causa das moscas, tirar o cavalinho da chuva.
Pudera! Compreende-se. Eles representam a ciência verdadeira, única, indiscutível, incontornável, incontrovertível, absoluta, estabelecida, aceite, fundamental, que a todos se impõe como primeira e última das verdades. Por isso, pô-la em causa é um crime, não um crime científico, ou moral, mas um crime propriamente dito, como o negacionismo do holocausto é considerado em muitos países. Quem não está de acordo com a ciência verdadeira deve ser ostracisado, punido, calado, impedido de dizer o que pensa, negando o colossal poder do homem sobre o planeta, o Sol, a galáxia, o universo!
Mui democraticamente, mui tolerantemente, mui generosamente, cheios de preocupação com a defesa do status quo, os tipos da carta querem evitar que mentes desprevenidas sejam levadas a acreditar, ou até considerar ou discutir tudo o que contradiga a sua verdade.
Os coronéis da II República, lá nas covas onde apodrecem, estão felizes. Têm fiéis seguidores.
8.9.18