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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

NOVOS HERÓIS

 

Temos lido, ouvido e visto, a história de um soldado apontador que não disparou a metralhadora quando para tal foi mandado por um superior. A coisa ter-se-á passado no Terreiro do Paço em 25 de Abril de 1974. O homem fazia parte das forças com que a moribunda II República terá tido a ilusão de travar o golpe.

As tropas “inimigas” estavam frente a frente. O homem não disparou, apesar da ordem. Hoje é, por isso, considerado um herói, presume-se que com lugar garantido no Panteão da III República.

Trata-se, como é evidente, de uma fabricação. Um soldado que, de política, ditaduras, democracia, etc., percebia tanto como de chinês, vindo de uma aldeia perdida não se sabe onde, foi, por artes de berliques e berloques, transformado num conscientíssimo e indefectível democrata, ansioso por libertar a Nação dos opressores e, quem sabe (basta ir um pouco mais longe no imaginário da moda), um cidadão de altíssima coragem que correu o enorme risco de desobedecer em combate, a fim de defender as suas ideias.

Não será um pouco demais? Mesmo aceitando que o gesto teve enorme importância no desenrolar pacífico dos acontecimentos, não é preciso ser “fascista” para imaginar as coisas de outra forma. O tal soldado, não sabendo lá muito bem o que se passava, nem quem estava “por cima”, ao ver-se na contingência de provocar que lhe dessem um tiro no toutiço, decidiu abrigar-se no blindado em vez de disparar. Se o golpe triunfasse, o que sentiria ser o mais provável, nada lhe aconteceria. Se se desse o contrário, então manteria as hipóteses de salvar o coiro dentro da carapaça do carro.

 

Esta reflexão nada tem a ver com a condenação do 25, coisa que o IRRITADO não faz. Até gostou, e muito, da reviravolta, o pior foi sobrevir o socialismo e ainda não termos acabado com ele.

 

Ninguém saberá dizer ao certo o que motivou o soldado. Mas não parece legítimo pô-lo nos altares como se vem fazendo, no fundo diminuindo o 25 no que teve de positivo.

 

Aqui há anos, num hotel (dos caros) em Londres, um alto funcionário apresentou-se-me como português. Tinha um crachá que rezava “Oliver”. Então chama-se Oliveira, disse-lhe. Sim, respondeu o homem, aqui chamam-me Oliver, porque o tenho esse apelido também, mas, em Portiugal sou o Tenente Coronel Corte Real. Como assim? O nosso ten-cor esclareceu: sabe, eu era tenente dos comandos, e desertei de Moçambique para a África do Sul. Depois, vim aqui parar e por cá fiz a minha vida. Tenho a reforma de Sua Magestade, um andar em King’s Road, um filho advogado e uma filha arquitecta. Trabalho no hotel por prazer, sou amigo do dono, costumo jogar golfe com ele. Então, perguntei, como é que passou de tenente a tenente coronel? Fácil e normal, esclareceu. Depois da revolução fui reintegrado, passei à reserva, fui sendo promovido, e o ordenadinho é depositado todos os meses... olhe, até me mandam um bacalhauzito pelo Natal.

Um ou dois anos passados, voltei ao hotel. Olá, senhor tenente coronel, tá bom? Tudo bem, foi a resposta, só que, agora, sou coronel!

Fica a história como foi. Ainda há-de haver algum jornalista que descubra este indefectível democrata e o ponha a dar entrevistas à televisão.

Há muito mais exemplos, como o do major do Boavista, que foi reintegrado e promovido, depois de ser corrido por causa de negócios de batata. Um herói, um defensor da liberdade que, com repugnate injustiça, ainda não foi condecorado.

 

Assim se faz “história”, ou se inventam histórias. Pobre 25!

 

27.3.14

 

António Borges de Carvalho

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