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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

O DINHEIRO DOS OUTROS

Nos execráveis tempos da I República, houve uns tipos que resolveram ter uma ideia “solidária” (como se diz agora): congelar as rendas das casas e casinhas. A coisa, com diversas versões e "justificações", manteve-se na mesma durante mais de sessenta anos. Atravessou a II República e foi-se mantendo pela III fora.

Em que consistia a esta política? Em pôr os cidadãos a substituir o Estado, isto é, em pôr uns a financiar as casas e casinhas dos outros, em vez de ser o Estado, se assim o entendesse, a restaurar equilíbrios, por via fiscal ou outra, o que, como se pode entender, era da sua mais estrita responsabilidade.

Como é do conhecimento geral, a coisa teve efeitos desastrosos. O parque habitacional degradou-se, arruinado e exangue. O mercado de arrendamento conheceu as distorções mais absurdas e as mais diversas injustiças, para arrendatários e proprietários, para o próprio Estado, perdeu biliões em impostos. Os aforradores viram os seus investimentos desvalorizados e os seus rendimentos praticamente aniquilados. O vício da compra invadiu e arruinou milhões de famílias, sem outra solução que a de ficar amarradas ao adquirido, sem mobilidade, sem liberdade, sem outra perspectiva que não fosse a de ficar agarrado às prestações em vez de procurar rendimento. A liberdade de contratar foi substituída por uma teia de normas económica e financeiramente absurdas.

A certa altura do percurso houve quem, aos poucos, fosse pondo em causa as monumentais perversões que o regime continha. Até que… até que houve quem tivesse a coragem, ou a ousadia, de, com vastos limites, liberalizar os contratos, permitir a actualização de rendas e abrir caminho à cura de males quase centenários. Sem, mesmo assim, deixar de rodear o sistema de uma série de martingalas burocráticas. Enfim, o que fosse “social” parecia poder recuperar a sua natureza de incumbência do Estado que, através do aumento na cobrança de impostos, reuniria meios para atender a quem deles precisasse, até à normalização do mercado, o que, é sabido, levaria anos. Mas valia a pena.

Até que… veio a geringonça e o seu ruinoso radicalismo. O congelamento regressou por seis anos, pelo menos. Se a inflacção voltar, que se lixe. Se o euro se desvalorizar, que se lixe. Se o investimento encolher, que se lixe. Congela-se, e pronto, está feita a justiça dos estúpidos. A reabilitação urbana deixou de ter os evidentíssimos progressos que a liberalização provocou, passando a ser pasto de ínvias manobras, financiadas, imagine-se, pela Segurança Social (afinal, parece que a dita está a nadar em dinheiro!). Que se lixe a Segurança Social.

Quem alugar a casinha durante umas semanitas a uns camones e for aboletar em casa da prima, passa, não só a ser objecto da tirania e da burocracia fiscais, como a ter de “compensar” os seus “elevados” rendimentos, mediante a colocação de outras propriedades no regime de “renda social”. Se não as tiver, que se lixe. Se as tiver, lixa-se na mesma.

Quem herdar um pinhalzito lá para as berças, se o pinhal arder ou tiver caruma, fica sem ele: a propriedade passa para o município por obra e graça da geringonça.

Bem vistas as coisas, engano será ficar surpreendido com estas desgraças e com tantas outras. Tudo isto, e muito mais que já está feito e se fará até à nossa (do país) derrota final, tem a sua justificação. Não em critérios de justiça, de economia, de bom senso, de viabilidade e sustentabilidade, mas no único que conta: o cumprimento das normas da cartilha da geringonça. Cartilha que é só uma: a do socialismo radical, por muito injusto, por muito anti-económico, por muito inviável que seja.

O nosso problema é que as clientelas da geringonça são numerosas e, por enquanto, estão a ser “alimentadas”. Quando se acabar o dinheiro, verão como foram estúpidas. Nessa altura, muita gente que, ou não é cliente ou percebe o que passa, já estará também arruinada.

É clássico, está provado, que ninguém duvide: o socialismo acaba quando acaba o dinheiro dos outros.

 

31.8.16

3 comentários

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    irritado 02.09.2016

    Como já disse, enganei-me, ou fui enganado pelas confusões noticiosas. Assim, apaguei o post, mas não o seu comentário. Ao menos, reconheça.
  • Sem imagem de perfil

    XXI (militante PSD) 02.09.2016

    Reconheço que reconhece que errou. Só lhe ficou bem, também reconheço.
    Agora, desculpas de "mau pagador" tenho dificuldade em aceitar. Na verdade, só lhe fica mal afirmar "...fui enganado pelas confusões noticiosas", porquanto o senhor já foi meu representante em cargos públicos. Ora, só os tolos são enganado com "papas e bolos". O sr. não é tolo..., daí...

    Porém, não é verdade que só apagou o post, mantendo o meu comentário. Em boa verdade, APAGOU O POST E O MEU COMENTÁRIO (nesse poste que "APAGOU").
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