O ESPANTALHO
O primeiro-ministro terá todos os defeitos que lhe queiram atribuir, mas há um que não tem: não é parvo, é homem de jogadas cheias de inspiração. Hoje, jogou uma de leão com a entronização do Leão, indivíduo eventualmente cheio de sabedoria e de fidelidade costista, mas que ninguém conhecia, nunca ninguém vira, de que ninguém, para além de círculos mais ou menos fora da informação popular, tinha boa ou má impressão.
Porquê esta cena, hoje? Arrisco uma teoria que não é de conspiração, antes é corroborada pela “linha do tempo”. Numa altura em que toda a gente (Costa incluído) já percebeu que o novo salvífico programa de estabilização económica – se não é assim que se chama, paciência – não passa de blabla, sem qualquer verdadeira substância, havia que desviar atenções para outra coisa qualquer. Vai daí, Costa, o não parvo, atirou à cara de toda a gente com a retumbante substituição do Centeno, coisa que vai ocupar jornalistas, comentadores, uma vasta maralha, durante uns dias, a desviar as atenções do tal programa e, porque não dizê-lo, do orçamento rectificativo (“suplementar”, em geringoncês).
Uma jogada de mestre.
A ver vamos qual será o espantalho, quando algum for outra vez preciso.
9.6.20