O ROL DOS ARTISTAS
Com a devida pompa e circunstância, o Oco apresentou à Pátria o rol dos escolhidos para as viagens.
Agiganta-se, como grande novidade, a chamada paridade, isto é, haver pessoas que são escolhidas pelo sexo. Para ser verdadeiramente progressista, deveria o Oco ir mais além e seguir exemplos que vêm da Europa, isto é, consagrar categorias que já constam de alguns bilhetes de identidade em países mais desenvolvidos. Para que houvesse paridade a sério, devia a lista incluir pelo menos uma fufa, um pederasta, um transsexual e, suponho, outras especialidades de género. Enfim, talvez fique para a próxima, quando o PS , do ponto da vista ético-civilizacional, tiver avançado mais um pouco.
Vejamos o nobre rol.
À cabeça, o ex-inimigo Assis, tipo que parecia relativamente moderado mas que, desde que lhe foi dada esta prebenda, se transmutou em trauliteiro de alto gabarito, como provam à saciedade as suas últimas aparições. Depois, a dona Maria João Rodrigues, tecnocrata bruxelense e antiga ministra do Guterres, cuja passagen pelo governo não deixou saudades nem deixou de deixar: zero. A seguir, ó maravilha, o insuportável Zorrinho, o que nos enche de esperança, na medida em que irá, espera-se, aparecer menos na TV com a sua melíflua demagogia e o seu cínico parlapaté. Chegamos à dona Elisa Ferreira: há quem diga que tem alta vocação para relatórios parlamentares - honra lhe seja -, senhora que foi figura de proa do pintodesousismo e cuja passagem pelo correspondente governo deixou tantas marcas como a da dona Maria João. Aqui, alegremo-nos: a contemplada com o sexto lugar é Ana Gomes, essa grande figura de viajante, senhora de características caninas que, se tivesse nascido uns anos antes, é de pensar seria a substituta ideal do major Silva Pais. Segue-se um tal Ricardo Santos, que o IRRITADO, com muita pena, não sabe quem é. Em sétimo lugar, temos o tipo do beicinho à banda, Silva Pereira de seu nome, um dos mais lídimos exemplos da alta estirpe dos pintodesousistas e insuportável produtor de bocas clubistas. Na oitava oportunidade – esperemos que a última – surge mais uma senhora, a dona Liliana Rodrigues, ao que se diz muito conhecida lá em casa. Vem então o senhor Manuel dos Santos: ou se trata de um velho maçon mais ou menos ultramontano, ou é outro cuja qualidade o IRRITADO desconhece, mas calcula. Na zona de previsível paisagem, seguem-se Maria Manuela Nunes, ilustre(?) desconhecida, e um dos mais irritantes populistas do socialismo: José Junqueiro.
O resto é mesmo paisagem.
Como ramo de salsa, talvez com o objectivo de dar credibilidade ao rol, surge, em último lugar, Eduardo Lourenço, intelectual de valia, a mostrar que o Oco não tem respeito pela terceira idade, antes abusa dela quando a apanha nas suas inevitáveis fraquezas.
O eleitorado terá oportunidade de mostrar merecido apreço pelo esforço que o Oco fez para serenar os ânimos, garantindo, acha ele, que passam a chateá-lo menos lá na agremiação. Espera-se que o faça, ainda que, para o IRRITADO, tal esperança signifique o contrário da do “Expresso”.
26.3.14
António Borges de Carvalho