OMELETES E OVOS
Quando se vê uma senhora do PS, já de certa idade, bem arranjada, acabadinha de sair do cabeleireiro, a comandar as hostes de uma coisa que se chama “apre!”, o cidadão comum tem o direito de se perguntar até que ponto esta senhora foi reduzida à miséria pelos cortes nas pensões. Não foi.
Muito boa gente, IRRITADO incluído, que sente no seu dia a dia a hecatombe de impostos e cortes que lhe caiu em cima, bem como a impiedade dos funcionários públicos com quem tem a desgraça de ter que lidar, vai dando tratos à moleirinha para saber como vai aguentar, isto não falando nas despesas que já teve de cortar e na quebra de “conforto” a que está a ser sujeita. A tal senhora e seus aderentes e anexos, ainda que presos nas malhas da crise, não foram reduzidos à indigência. Têm que mudar de vida, como todos os que tinham um pouco, ou um muito, mais que o mínimo. Os que estavam no mínimo – infelizmente grande parte dos portugueses – nada sentiram. Pelo contrário, há preços desceram e, nalguns casos, até recebem um pouquito mais do que antes. Também há os que têm que ajudar filhos e netos desempregados. Mas não será isso o normal nas famílias no estado em que nos meteram?
Enfim, tudo é mau, mas não é tão mau como o pintam. A senhora que serviu de mote, por ser exemplar, usa e abusa da velha história do “contrato” que fez com o Estado para que este lhe garantisse um xis de pensão de reforma. Quer receber o resultado das suas poupanças, expressas em descontos e taxas. O problema é que, se tivesse havido tal contrato, se tinham “alterado as circunstâncias que levaram à sua subscrição” e, como diz a lei, o contrato teria que ser revisto, e ia tudo dar no mesmo. Mas não houve contrato. O que houve foi descontos para um fundo que o Estado usou para o que muito bem lhe aprouve, incluindo a “protecção social” dos que nunca descontaram um cêntimo ou descontaram tão pouco que, num sistema capitalista, pouco ou nada teriam a receber.
É enganoso, demagógico ou irrealista, sejam quais forem os ditames socialistas da Constituição, defender princípios de capitalização quando, ao mesmo tempo, ideologicamente, se exige que eles não sejam a regra! Ou seja, o socialismo impõe que se respeite regras contra as quais se bate, e grita que é devido às pessoas o que o capitalismo lhes garantiria. Por outras palavras, a ideologia oficial da Constituição e da senhora do PS propõe que se coma a omelete e se fique com os ovos. E, perante a crise que o socialismo criou, berra contra os que apanharam com ela em cima, com a incumbência de, melhor ou pior, a ultrapassar!
Facto é que a contestação se limita às senhoras como a penteadinha do PS e a dona Manuela, outro exemplo marcante. Não chega, ao contrário dos ardentes desejos do dr. Mário Soares e das inconfessas esperanças do Oco, à esmagadora maioria da população que, ou não está pior do que estava ou tem bom senso. Não há a desejadíssima violência, como não há espiral recessiva nem outras desgraças maiores. Bem pelo contrário, há uma ténue luzinha ao fundo do túel. Prouvera que não venha o PS dar cabo disto outra vez.
22.1.14
António Borges de Carvalho