OS TOIROS E O COISO
Num estardalhaço de de incontível alegria, o coiso do PAN gargalhou “que maravilha!”, ao ver profissionais tauromáquicos algemados, em protesto à porta do Campo Pequeno. Conclusão: o coiso é o que toda a gente sabe que é: um potencial tirano, um prosélito de ideias anti-humanas, armado em bonzinho, em defensor dos animais perseguidos e torturados por pessoas, essa raça de impiedosos canalhas.
Ao mesmo tempo que se diz “ecologista”, defensor da diversidade genética – hoje conhecida por biodiversidade – faz o que pode para acabar, de uma vez por todas, com duas espécies de mamíferos superiores, os touros de lide e o cavalo lusitano. Isto, dando de barato os seres humanos que, em nobres actividades, dependem da manutenção e da defesa delas. Por outras palavras, o que o coiso quer é reduzir à miséria milhares de seus concidadãos, acabar com enraizadas tradições e honestas profissões, dar cabo de preciosos habitates, aniquilar inegáveis defensores da natureza, entregar muitos milhares de hectares – onde não há incêndios, nem especulação imobiliária ou de outra natureza - à exploração de espécies e actividades que passa a vida a condenar.
O projecto do coiso é mudar a humanidade, obrigando-a a seguir os seus estúpidos ditames e a alterar a sua própria, e vital, condição de omnívoros, reduzi-los à condição de herbívoros, quais vacas ou carneiros.
É claro que o coiso - carrasco da civilização dizendo-se civilizado (como a comprovada tonta da “cultura”), destruidor da Natureza no que ela tem de mais bem gerido pelo homem, propagandista da mais básica e acrítica estupidez ao mesmo tempo que clama pela “inteligência” - tem apoios de monta, os primeiros dos quais são o governo, por acção, e o Presidente, por omissão. De outra maneira não se explica que as corridas de toiros, ao contrário de outros espectáculos “culturais” ou políticos (desde que de esquerda), não sejam incluídas no cardápio dos “bons”, não por acausa do covide, das máscaras, dos afastamentos, mas por mero e primitivíssimo ódio, o ódio do coiso.
Morram os toiros de lide, morram os cavalos lusitanos, morram os campinos, morram as lezírias, as tradições, os direitos de quem a corridas gosta de assistir, os ganadeiros, os cavaleiros, morram forcados, peões de brega, bandarilheiros, morram todos, morra a própria Natureza que os sustenta, cesse tudo, que outro de mais alto se alevanta: o coiso.
O coiso tem o apoio da Catarina, é adorado pelo Costa, incensado pela Fonseca, admirado pelo Medina, os parvos coçam-se e assobiam para o ar, as hostes estão na imprensa, na rádio, um pouco por toda a parte, nem Natureza, nem gente, nem espécies, nem prazeres públicos, nada tem importância, a ideologia do coiso, à revelia da vida, é capaz de triunfar.
9.6.20