OS TRÊS PISTOLEIROS
Em Loulé foi criada uma comissão para as comemorações do 25 de Abril. Dando mostras de respeito pelos mais sérios valores democráticos, a tal comissão organizou uma sessão para a qual convidou três altíssimas figuras do MFA: Vasco Lourenço, Otelo e Martins Guerreiro. Não se sabe porquê, mas calcula-se, o reitor da universidade local prestou-se a “moderar” a coisa, como se fosse preciso moderar uma sessão em que todos iam dizer o mesmo, ou como se a universidade devesse avalizar porcarias deste género.
Para quem já não sabe quem é esta gente, atente-se na preocupação dos organizadores de chamar à liça, democraticamente, várias correntes de opinião. Só que, certamente por engano, só convidou uma: Lourenço, que acha que “não foi para isto (a democracia) que se fez o 25 de Abril”; Guerreiro, um dos mais lídimos representantes do bolchevismo nas Forças Armadas do tempo e actualmente um não-ilustre desconhecido; Otelo, um ignorante socialista revolucionário e indiscutível líder e inspirador da “melhor” organização terrorista de iniciativa nacional, à qual se deve nada menos que 17 assassínios, e à qual deu o nome da “sua” revolução: 25 de Abril.
Para quem não gosta da data, nada melhor que confundi-la com esta gente. Pior, achar que esta gente é, como gostava de ser, a dona e senhora da única mensagem válida do 25 de Abril que é o inegável valor da liberdade. A quem assim pensa, há que lembrar que tal liberdade foi coisa que outros, com esforço e sangue, viriam a conseguir, apesar desta gente.
Os donos do 25 (até o Vasco, que se chegou a pensar ser um democrata) são de opinião contrária: o que queriam mesmo não era a liberdade. A não ser que ela, obrigatoriamente, significasse socialismo puro e duro. O 25 valeu para que esta gente viesse a poder proclamar as suas asneiradas sem que ninguém a meta na prisão ou no manicómio. Isso não reconhecem.
De resto, se o 25 é do povo, como diz alguma propaganda, mas de todo o povo, não dos que esta gente selecciona como povo, como o Cunhal seleccionava as “amplas liberdades”.
O povo somos todos, e temos oportunidade de dar ao país os governos que quisermos, de direita, do centro ou da esquerda.
Por isso que estas sessões, organizadas para espalhar, não a mensagem democrática do 25, mas o seu lado ditatorial, sejam a pior maneira de comemorar a data. Os três da vida airada, que ali vieram dizer os seus disparates, bem podiam ir para casa chatear outro em vez de propagandear o seu triste atraso intelectual e ideológico.
18.3.14
António Borges de Carvalho