PRESTÍGIO JUDICIAL
O senso comum de há muito lamenta a situação das classes judiciais. Juízes, procuradores, etc. passaram a ter sindicatos como os estivadores e os metalúrgicos, passaram a andar nos jornais todos os dias a defender reivindicações e exigências. No tempo da II República, apesar da vergonha dos tribunais políticos e de outras autoritárias limitações, a justiça comum funcionava, os magistrados eram dignos de prestígio e respeito, e a tal se davam.
Hoje é difícil encontrar quem os respeite e admire. A culpa é deles, pelo menos segundo a opinião generalizada. Diz o jornal que “os magistrdos podem vir a ser impedidos de integrarem (sic, o pontapé na gramática não é meu) órgãos de clubes. Parece que a brilhante ideia vem de quem manda na classe. Leia-se então: quem manda na classe acha que os magistrados que já estão em tais órgãos são suspeitos das maiores tropelias, que os clubes são organizações de malfeitores e que os magistrados que forem eleitos para tais órgãos passam a ajudantes dos ditos malfeitores ou a malfeitores tout court. Brilhante.
Pode compreender-se que, aos magistrados no activo, seja vedado o acesso a cargos executivos e/ou remunerados, em clubes ou noutras quaisquer organizações. Os que já não estão no activo são cidadãos como os demais, não se percebendo o alcance da nova tentativa de limitação de direitos.
O que acontece é que, tendo-se os magistrados desprestigiado pública e notoriamente, vêm agora com ares moralistas arranjar umas normas, ou para ingês ver, ou para se sangrar em saúde.
12.9.18