QUE É FEITO DO TRATADO?
Parece que, de um país frio, triste e desinteressante, vêem ordens terminantes sobre o chamado programa cautelar, seguro, bengala, almofada, ou o que lhe queiram chamar.
Parece que não há político (à excepção do Oco), nem criatura opinadora, nem governo, nem país, nem nada, que não ache melhor haver tal coisa. À excepção da Finlândia. Segundo um ilustre comissário, ele próprio finlandês, a Suomen Tasavalta (é mais ou menos assim que se diz República da Finlândia em finlandês!) não quer. E, como tal gente não quer, não haverá bengala.
Não comentando a comovente solidariedade que vem dos gelos lá de cima, deveríamos perguntar o que é feito do Tratado de Lisboa, antiga menina dos olhos do Pinto de Sousa e do Barroso, “porreiro pá”. O IRRITADO será, com certeza, ignorante quanto ao que reza tal instrumento, ou quando a alguma vacatio legis tendencialmente eterna. Mas lembra-se que o tal tratado lhe foi vendido, entre outras coisas, como uma espécie de democratização das decisões na UE. Através de complicados critérios, sobrepostos e simultâneos, tornava-se possível tomar decisões maioritárias. Parecia lógico, já que decisões unânimes entre quase trinta são, como é evidente, fonte de paralização política da União.
Porém, segundo a informação disponível, a dona Finlândia decidiu por todos nesta questão do cautelar. A dona Finlândia decide, e toda a gente amocha. Será assim? Ou será que há por aí uma data de gente a pendurar-se nela, pondo-lhe as culpas de uma decisão que, sem o confessar, desejava?
A dona Ângela, por seu lado, tirou o cavalinho da chuva, e disse que o problema é nosso, façam como quiserem, são soberanos, não é? Os outros alinham com esta douta, prática e pragmática opinião. BCE está calado como um rato mudo. O FMI está fora da jogada.
Que terá acontecido ao Tratado? Deixou de se ouvir falar em tal coisa, que parece ter-se ficado pela nomeação de um triste e desconhecido belga para Presidente do Conselho e de uma inglesa ainda mais triste e mais desconhecida, além de completamente inútil, para foreign secretary.
Hoje, a coqueluche é o tratado orçamental, violento espartilho destinado a fomentar a elegância das nações: magrinhas, mas com contas que se possa ver.
Que é do Tratado de Lisboa?
Entretanto, a vida continua. Por cá, vamos ter uma saída suja, mas dita limpa, quando a saída limpa seria aquela a que, pelo menos o Oco, chama suja. Será que o tipo é finlandês?
11.4.14
António Borges de Carvalho