TIROS NO PÉ
Tem sido muito justamente criticada a, quase diria servil, aproximação de Rui Rio ao PS. Parece que, em nome do “interesse nacional”, Rui Rio está pronto a, alegremente, se prestar a ser bengala do PS. Nada melhor para Costa, que está muito confortável na geringonça, não lhe passando pela cabeça meter o PSD no baralho do futuro governo.
Passos Coelho ganhou as eleições, mas nem por isso deixou de ser humilhado por Costa, indivíduo sem escrúpilos, nem palavra, nem respeito pelos resultados das eleições que, escandalosamente, perdeu. Não é com uma criatura desta laia que as pessoas politicamente honestas podem contar, ainda menos oferecendo-se como cordeiro pronto a ser esfaqueado e servido, frito ou cozido, no banquete da geringonça.
Ao anular a alternância, Rio, ao contrário do que diz, não respeita o interesse nacional, nem a democracia, nem o regime, nem os apoiantes que lhe restam. Nunca fui adepto de Rio, mas jamais me passou pela cabeça que pudesse ser tão mau.
Fiel à “menina dos seus olhos”, uma meretriz chamada regionalização, apressou-se a subscrever um “projecto” de “descentralização” do PS, que deve ter entendido como primeiro passo para a alcova de tal menina. O projecto era uma asneira pegada, pôs em polvorosa os autarcas de todas as cores e, manifestamente, não tem pés para andar.
O caso da senhora PGR, que, à excepção PS, reune a prática unanimidade dos eleitores, Rio, em vez de ouvir, engrossa tal excepção! Outros casos há de seguidismo parolo, que não valerá a pena referir.
Perito em tiros no pé do PSD (organização que passa a vida a criticar sabe-se lá se por se por sadismo, se por masoquismo, se por pior coisa), Rio não pára de asnear. Convencidão, dispara a sua metralhadora política para dentro de casa, esquecido das funções para que foi eleito.
No fundo dos corações dos eleitores do PSD é capaz de ainda haver esperança nalgum golpe de génio que lhe permita denunciar a geringonça, as suas mentiras, a sua infrene propaganda, os seu malefícos e, já agora, defender qualquer coisa de positivo, novo, imaginativo, mobilizador.
Ou muito me engano, ou podem tais eleitores “esperar sentados”, como ele diz.
11.9.18