UMA PORCARIA
Do alto dos inúmeros palcos televisivos e jornalísticos de que nunca deixou de dispor, um provinciano mal vestido chamado Assis foi tratando de convencer as pessoas que era um tipo decente, capaz de dialogar, diferenciando-se para melhor da série de indivíduos absolutamente intragáveis e intelectualmente pouco sérios em que o PS é fértil.
A posição de candidato número um da agremiação ao Parlamento Europeu fê-lo abandonar a imagem de moderação e quase simpatia que vinha dando de si próprio e que, pelos vistos, ou era pura mentira ou máscara que as conveniências impunham. Inúmeras provas disto mesmo andam por aí.
Por um lado, bla bla bla, que a campanha eleitoral deve ter “altura”, deve ater-se a propostas “europeias”, etc.
Por outro… o melhor é citá-lo, para avaliar bem de quem se trata e da confiança que merece:
- O governo é “ideologicamente primário, tecnocraticamente incompetente, politicamente inexistente”;
- “O governo devia ser obrigado a possuir competências e qualificações que… manifestamente não tem”;
- Há um membro do governo que, “igual aos seus restantes membros”, “escreve tweets patetas” e “nunca leu Shakespeare, nem sequer em tradução portuguesa”;
- Há outro que não passa de um “apparatchik ligeiramente alfabetizado”;
- O governo faz parte dos “dogmáticos, dirigidos com arrogância e imbuídos de uma mentalidade escassamente democrática”;
- O governo sofre de “pensamento neoliberal na sua versão mais extremista”;
- Pedro Lomba, quando diz que o que verdadeiramente se deve ao 25 de Abril é a liberdade, “limita-se a navegar entre o patético e o ridículo” e é um dos rostos de um governo despudoradamente ignorante e aviltantemente sectário”;
- Outro membro do governo há que “pensa com a densidade de um robot tecnocrático” e tem “uma mente verdadeiramente simples”;
- Passos Coelho, “um homem destinado a assumir como destino a indómita tarefa do empobrecimento nacional” e a levar as pessoas a “cair no abismo de uma paixão ideológica a raiar a obsessão”, é “menos que um político vulgar”, “um lamentável demagogo”;
- “Paulo Rangel parece um disco riscado”. Uma só palavra – despesismo. Uma só obsessão o PS”, a mostrar que “a cultura pode combinar com a demagogia”, destinada a conquistar os “espíritos mais débeis” que “são sempre os melhores soldados no exército dos extremistas dogmáticos”
E aqui temos, senhoras e senhores, em meia dúzia de exemplos, um verdadeiro “socialista moderado”, um homem interessado numa campanha “séria” e focada em “assuntos que valem a pena” e “propostas para a Europa”.
Na linha argumentativa dessoutro luminar do socialismo nacional que dá pelo nome de Mário Soares, este díscolo mental (usando o tipo de adjectivos de que tanto gosta) espraia desta forma incívica e acívica – passem os neologismos – a porcaria moral e intelectual que lhe borra a caixa craniana.
Mais comentários não merece. Quem quiser saber tudo, isto é, quem não tenha o vómito fácil, leia o jornal socialista “Público”, edição de ontem.
18.4.14
António Borges de Carvalho