VASP E QUIEXINHAS
Em idos tempos, o IRRITADO frequentou algumas reuniões da VASP. Todos os jornais e revistas eram membros da organização. Ou seja os tais membros arranjaram forma de se auto-distribuir, assim formando uma espécie de monopólio do negócio e transformando uma necessidade própria numa actividade lucrativa. A VASP singrou, enquanto os seus membros tinham clientes. É o que acontece a todos os negócios.
Com o andar da carruagem - a Internet e catracas afins - os clientes começaram a borregar, fazendo com que a organização se desiquilibrasse. Solução óbvia: diz que vai deixar de distribuir nos sítios onde não há clientes que cheguem. Alarme geral. Os clientes que restam revoltam-se. Os autarcas indignam-se. Os jornais e revistas tremem ainda mais do que já tremiam. Ao contrário do ditado, todos ralham e todos têm razão. Umas centenas de milhar de pessoas ficam entregues a gente (informação das redes) em que não confiam, ou cujos processos não dominam. Ficar de olhos em bico a olhar para o telemóvel? Que sina!
No topo dos protestantes agigantam-se os directores da imprensa escrita através de uma carta aberta a que deram merecida publicidade. É o que trás o IRRITADO à liça. É que tal carta, recheada de queixas e queixinhas, nada adianta. Diz o que toda a gente sabe. Nem uma palavra sobre uma solução do problema. Ou seja, sem o dizer, subentende-se que querem que o Estado tome conta do problema. Há azar? O governo que se mexa. É para isso que servem os impostos, não é? Nem uma dica, uma sugestão, um caminho.
Ao IRRITADO não cabe propor o que aos senhores directores caberia, se quisessem pensar um bocadinho para além da vitimização. Mas não quer deixar de ir um pouco mais além que os senhores directores. Como a imprensa escrita aumenta os preços todos os dias sem dar cavaco a ninguém, podiam pôr mais uns cêntimos no preço da capa, por exemplo: que paguem os interessados. Ou fazer mini-vasps distritais, com áreas mais limitadas e financiadas por publicidade distrital encartada ou por mecenato. Ou outra coisa qualquer, para além das lamentações. E, que diabo, há tanta gente a distrubuir tudo e mais alguma coisa pelo país inteiro, e não há inguém que queira arranjar maneira de distribuir a imprensa?
15.12.25